quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

The Depression Diaries, nº 51 - O que tenho feito pra sobreviver

Eu cheguei até o fim do ano. Não sei como, mas cheguei. Eu sinto como se eu estivesse no vácuo eterno do espaço sideral, alternando entre ser uma coisa real e ser apenas um conceito. Eu passei tanto tempo odiando meu corpo que acho que ele passou a me odiar de volta. Ele enche meu cérebro de mentiras que eu acabo acreditando. Eu to solitária pra caralho e digo a mim mesma que é melhor assim. Eu tenho me cortado muito e digo a mim mesma que é assim que eu sobrevivo, produzindo minhas próprias cicatrizes de guerra. Quando eu sinto o sangue escorrendo pela minha pele eu consigo me surpreender. Olha, eu ainda estou viva. Ainda existo de verdade. Me afasto das pessoas e digo a mim mesma que estou fazendo o melhor pra elas, que elas não precisam da minha bagunça existencial-suicida. Ainda assim, to aqui solitária. Meu único refúgio é dormir. Dormir é o mais perto de morrer que eu tenho chegado. Eu como por que entendo o funcionamento do meu corpo e do que ele precisa, mas não há nenhum prazer nisso. Eu sento, deito, vejo tv, levanto, fico no computador, como, durmo. Tudo é desprovido de vida como minha própria existência tem parecido ser. Eu só quero o fim, o desfecho. Eu não aguento outro ano assim. Tenho jogado fora anos da minha vida por causa dessa merda. Eu evito as pessoas que gosto. Eu to sendo quase jubilada da universidade. Eu quero alguém pra ficar perto porém me castigo com a reclusão. Qual é o sentido de ser humano e não viver? Eu preciso de tanta ajuda mas tanta que eu não sei nem por onde começar a pedir. Você acha que o universo se importa com a gente? Queria que ele pudesse ficar triste pois há tantas estrelas e planetas e só uma eu que nunca vai poder tocar em todas essas coisas. Eu nunca estou satisfeita, e essa é a minha ruína.

sábado, 5 de dezembro de 2015

The Depression Diaries, nº 50 - O desaparecimento de-

Eu acredito que há certos sentimentos para os quais não foram inventados nomes que os cunhem. Ultimamente tenho esse estranho sentimento de que eu estou sendo apagada erased da existência, milimetro por milimetro. A natureza não tem pressa em me remover, ela quer ser notada como um pintor quer ter cada pincelada das suas obras vistas por olhos novos, olhos que nunca tocaram a superfície da imaginação deles. Minha voz faz um eco que passa através das pessoas, minhas palavras parecem turvas à vista dos outros a minha volta. Às vezes eu chego a ter dúvidas se as pessoas conseguem me enxergar mesmo? Todos os dias parecem emprestados, parecem ser um episódio filler para o destino final da cena, para a grande tragédia do terceiro ato. Eu sou um problema sem solução. Eu não consigo derrotar minha própria mente, é exaustivo pra caralho. Eu quero abraçar to embrace minha desgraça e lidar com os fatos dela. Eu quero não ter mais contato com ninguém além do necessário; tornar-me tão bem num fantasma quanto numa lenda urbana. Eu não posso lutar por mim mesma. Não consigo. Meu problema é uma simples disfunção no nível de serotonina no meu cérebro, e ainda assim não há cura. Não há como eu ser como você, como sua amiga, como sua tia, como aquela pessoa que superou uma grande dificuldade, um exemplo de vida. Espero que eu seja uma dorzinha que passe com o tempo, que eu seja assunto numa conversa no máximo por um minuto. Good lord, eu espero que ninguém lembre de mim ao ver um filme novo de Star Wars ou um artigo na internet sobre Doctor Who. Eu tinha tanto medo do oblivion esquecimento que eu nunca notei que era isso que continuaria a fazer a dorzinha durar por longos períodos. Está tudo bem em desistir de mim, eu já fiz isso há certo tempo. Não há nenhuma culpabilização a ser feita. Há somente a liberdade que há em se descobrir uma anomalia no mundo.


"I’m not better, okay?! I’m not better! And I keep waiting for someone to figure that out and they don’t! I mean, of course, they don’t ‘cause as long as I say the right thing and I act the right way, they’re happy because that means that they cured me, right?"
Emma Chota, Red Band Society

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

The Depression Diaries, n° 49 - Como que você faz?

Eu sinto como se estivesse prestes a perder tudo pelo qual lutei durante todos esses anos. Minha vida academica, minhas amizades, eu mesma. E a pior parte é que eu não consigo nem me importar com isso. Eu só quero, dia após dia, que tudo acabe. Eu não tenho mais opções pra testar. Nada tem dado certo. Nada funciona. Então pra que diabos eu ainda tou aqui? Por que eu continuo dormindo e acordando e comendo e levantando da cama se eu nao tenho a porra de um propósito? Por que eu não arranjo logo a energia pra me matar de vez? Toda vez que toco alguém parece que eu a empodreço. Então eu mantenho certa distância pra evitar ser o monstro, pra não alimentar o lobo ruim. Mas não funciona. E eu só queria que isso acabasse, porém parece que para tal meu cérebro teria que ser aniquilado no processo. Como um superherói venceria esse vilão? Como lutar contra você mesma? Eu estou aqui há 3 anos e não faço a menor ideia.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

The Depression Diaries, n° 48 - Being friends with someone depressed

Eu gosto de dizer que ser amigo de alguém que tem depressão é como viver num eterno experimento do gato de Schrodinger. Você acorda todo dia pensando "ele está vivo ou está morto?", e ambas as realidades coexistem até o momento que você interage com a pessoa. Eu perdi alguns amigos nesses meus anos de depressão. Alguns porque quis me afastar no intuito de não prover incômodo, outros porque não sabiam lidar com... bem, tudo isso que me tornei. Não é fácil, eu admito. Eu não tenho sido fácil. Também não deve ser fácil ter medo todo dia de acordar com uma ligação ou mensagem de que sua melhor amiga tentou se matar, ou se matou. Também não deve ser fácil querer ajudar mas não saber como, também não deve ser fácil ver os cortes no braço da sua amiga e ter que engolir seco. Não deve ser fácil sua amiga desaparecer por alguns dias e seu primeiro pensamento é que ela morreu, ninguém deveria ter que pensar isso. Não deve ser fácil querer poder fazer alguma coisa pra cessar a dor que sua amiga sente porque você acha que ela pode ainda fazer tanta coisa boa nesse mundo, mas a doença não a deixa enxergar isso, e porra, como ela tenta. Não deve ser fácil ver sua amiga definhar todos os dias e se tornar um receptáculo vazio, que coloca panos nos espelhos por que não consegue suportar o próprio reflexo. Com isso meu ponto era só dizer que eu queria poder ser uma amiga melhor. Queria poder ser alguém que algum dia eu já fui e agradou tanto vocês que vocês decidiram ser meus amigos. Eu queria poder enxergar uma luz no fim desse túnel por vocês, por vocês. Mas cada dia parece mais impossível. Até nos piores momentos as lembranças de vocês me reafirmam que um dia eu vivi.

“Depression turns you into a series of nouns, without the adjectives and without the verbs. You don’t remember where you misplaced your descriptions, your actions … You become: bed, shower, socks, coffee, keys, obligations.” A Series of Nouns 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

The Depression Diaries, n° 47 - A hora final

Essa é a maior das minhas verdades:
Eu queria que o mundo inteiro ruísse junto comigo. Não existe um pingo de altruísmo em mim. A natureza em fúria, a terra chacoalhando-se como se desejasse se libertar da humanidade, os céus numa negritude intensa de quem anuncia o fim dos dias. Eu queria poder arruinar todos vocês. Leva-los para a completa a escuridão, repleta de desespero e falta de esperança. Eu queria que as nuvens despejassem enchentes todas as vezes que eu choro copiosamente pra tentar lidar com a dor que a tristeza causa em mim. Queria que todos os humanos do mundo sentissem o meu pesar, a minha fraqueza. Eu passaria por todos na rua e receberia olhares de pessoas que sabem o que eu estou passando. Lideres mundiais viriam ao meu encontro me questionar sobre como resolver minha letargia. Eu digo a milhões deles que não sei, e outros milhões chorariam o equivalente a mares e oceanos por mim. Seria eu - não meteoros, asteróides, profecias, extraterrestres, bombas atômicas - a responsável pelo fim da civilização. Eu queria que meu planeta entrasse em colapso assim que eu desse meu ultimo suspiro. Eu não queria cair em perdição sozinha. Essa é a verdade mais honesta por Deus, qualquer Deus: eu quero arruinar vocês, todos vocês. Eu vou deixar esta vida sozinha assim como cheguei nela, e por isso jamais serei capaz de perdoar o mundo. Eu sou um número, eu sou uma estatística, eu sou um nome de usuário, eu sou um padrão. O mundo me tolhe por eu querer ser o próprio mundo, um castigo tal qual um Deus grego inflingiria. Então eu permaneço em chamas pra sempre.

domingo, 27 de setembro de 2015

The Depression Diaries, n° 46 - I wish I was here

Não consigo evitar de imaginar como seria eu - minha vida - se eu não estivesse doente e sendo consumida por essa doença. Todas as coisas que eu poderia ter feito não chegam a me assombrar; elas passam por mim de vez em quando pois auto tortura nunca é demais. Eu não saberia mais dizer quem eu sou. Não sei do que eu gosto, do que eu gostaria, do que eu poderia chegar a gostar de fazer um dia. Eu queria ter uma vida na qual eu não consigo me enxergar nela porque eles não fazem destinos para fantasmas. É isso que sinto que sou. Eu poderia ser tanto que devo acabar sendo nada para a manutenção da ironia do universo. Eu não queria ser mais uma das histórias tristes, mas ultimamente parece que isso é tudo que eu sou. Eu não quero ser outra Sylvia Plath, outra Virginia Woolf, essas garotas. Eu não queria ser incapaz de ver meu impacto no universo, se é que eu faria algum. Eu estou cansada de sentir tristeza e ser a garota triste. Existe um demônio que vive em mim, meu monstro, minha selvageria, arranhando todo o meu interior em busca de liberdade. Eu estou sempre cansada porque eu vou para a guerra todos os dias. Vou em busca de paz, da não-dor, da sensação de ter encontrado deus. Mas só existe a dor que aperta meu peito e me achata, me torna cada vez menor e menor e menor. Não há nenhuma arte nisso. Não há nenhuma beleza nisso. Só existe a dor e dias sem conseguir levantar da cama e só me alimentar porque minha mãe não esquece de mim. Eu queria poder parar de lutar contra a minha natureza humana. Eu queria poder me sentir satisfeita com o que todo mundo se sente satisfeito. Eu queria ser mais burra se isso significasse que eu seria feliz. O deus Odin deu um de seus olhos em troca de mais conhecimento, mas eu daria muito mais em troca de não ser mais fantasma do que ser humano. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

The Depression Diaries, nº 45 - Morrer é uma arte

Não há muito o que se dizer quando alguém te diz que quer se matar. Eu coleciono olhares de todas as pessoas para as quais eu disse isso, e o que cada um deles tem em comum é uma mistura de incredulidade com impotência. Eu não espero que ninguém me diga nada que valha a pena a continuar a viver. Nem pena, nem recomendações. Só o aceitamento. Meu lado lógico me diz que não sou que quero essas coisas, mas sim a doença que infesta meu cerébro, e eu entendo. No entanto, como conseguir acreditar em si mesma quando o que você sente não é compatível com o que deveria ser verdade? Meu cérebro tenta me matar todos os dias. E, por muito tempo, ele era a única coisa pela qual eu podia me orgulhar. Minha inteligência, minha imaginação, minha percepção — coisas que vivem dentro do meu crânio — são tudo o que eu sou. Sem elas eu sou um corpo em estado vegetativo. Estive raciocinando sobre questões de insanidade e sempre chego a conclusão de que eu estou cansada demais pra qualquer coisa que eu não possa tocar, sentir, ver.

Eu não sei bem explicar porque eu quero me matar. É apenas um desejo intrínseco dentro da minha pele, que me corrói todos os dias que ainda permaneço viva. A todos os meus amigos que sempre se preocuparam e se preocupam comigo, eu agradeço. Eu vou precisar ainda de vocês pra mais algumas coisas, principalmente pra lidarem com tudo depois que eu me for. Todas as coisas que eu já quis algum dia na vida foram feitas para serem cumpridas por outras pessoas, com outros corpos, outras faces, com cérebros saudáveis. Espero passar invisível por esse mundo já que não pude deixar meu nome na história. Não quero nada menos do que tudo. Não me satisfaço, não me importo, não meço limites. Eu amo todos vocês. Meus amigos, minha família e até você que for um desconhecido e tiver lendo isso (alguém ainda lê esse blog?): eu amo vocês. Eu só não consigo mais viver assim. Eu achava que eu era a pessoa mais forte do mundo, mas não sou. Não aguento mais lutar. Eu to cansada, tão cansada.

(Não, ainda não sei quando vou me matar.) (Sou só mais alguém em período terminal da sua doença.)


"Dear Mom,
 thanks for this beautiful life and forgive me if I don’t love it enough."
Anonymous


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

The Depression Diaries, n° 43 - You look like a winter night. I could sleep inside the cold of you.

Não tá melhorando nada. Esse é meu ponto mais baixo? Existem multidões gritando no meu coração e eu não consigo discernir nada. Um borrão. Eu, um borrão. Here comes the sun. Here I come, Sun. Eu guerreio com o universo todos os dias e venço sempre, mas um dia eu vou perder. Eu vou perder e meu eu borrão vai se despedaçar, meu eu borrão vai se reciclar em qualquer coisa que o universo meu grande inimigo meu nemesis e melhor amigo quiser que eu seja. Mas eu finalmente vou perder minhas memórias. Meus momentos a que tanto me agarro, são a única coisa que tenho eu não existo sem eles, Eu me vejo nas três dimensões, eu me vejo sorrindo enquanto meu sorriso encontra os olhos das pessoas como se eu fosse espectador e participante ao mesmo tempo. Eu contemplo tudo como se eu fosse deus mas tudo o que sou é aquela que cai em todos os cenários possíveis, que achou que sabia muito que sabia demais que sabia tudo e sempre foi burra. Eu tento tirar fotografias com meus olhos que tem a qualidade da câmera de um celular defasado, eu me agarro a um bote que só faz afundar e afundar. Eu nunca me senti tão mal em toda a minha vida e cada vez mais o fim, a tela preta depois do fim do filme, o vácuo, o nada me parece a coisa mais atrativa que já existiu durante toda a criação. Então eu só me machuco pra forçar meu foco. Eu saio correndo pra tentar enganar minha mente a se calar. Eu fecho os olhos com toda a força do mundo e abraço minhas pernas e digo que eu não existo numa desesperada psicologia reversa. Nada disso é poético.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

The Depression Diaries, n° 42 - Começa com S e termina com O

Meu momento preferido em toda a minha vida foi quando eu viajei de avião pela primeira vez — de madrugada, um voo vazio — e pude ver, de cima, todas as luzes da cidade. É a minha última lembrança de sentir felicidade. Provavelmente porque vai ser o mais perto do espaço sideral que eu vou chegar até morrer e porra, eu amo o espaço #thetruthisoutthere. Porra, esqueci o que ia escrever sobre. Pera.

(2 min depois)

Lembrei. Era sobre morte. Não tem um jeito menos estranho de falar pras pessoas que você quer se matar, né? As reações das pessoas são sempre sensacionais. Algumas ficam em silêncio completo, outras falam "AI PARA COM ISSO" e tem umas até que comentam sobre gente que se matou também mas dando um certo suporte, eu acho. Eu não sei bem porque quero me matar. Acho que nunca antes na vida desde que fiquei doente eu quis tanto me matar quanto quero agora. Mas sempre parece que eu to esperando algo passar pra poder cometer o ato, que eu to almejando passar por algo aí então fazer o que eu quero. Veja bem, eu não consigo ter bem objetivos na vida. Não tenho nenhum pudor de falar pros meus amigos que eu quero sim me matar. Eu não consigo sentir porra nenhuma. PORRA NENHUMA. Dentro de mim só existem os sentimentos ruins. Dor. Angustia. Vazio. Etc. Porra. Desconfie de todo sentimento novo que eu afirmar possuir por qualquer coisa/pessoa. Eu não tou em plena capacidade das minhas faculdades emocionais. Eu nem sei qq to fazendo ainda acordada muito menos viva. 

Me desculpem se não consigo me importar com porra nenhuma. Eu quero muito, juro. Eu amo todos vocês mas ainda sou uma garota morta.

"somewhere i have never travelled, gladly beyond 
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me, 
or which i cannot touch because they are too near."
e. e. cummings

domingo, 19 de julho de 2015

The Depression Diaries, n° 41 - Boom

Em uma das minhas recentes consultas com minha psiquiatra, expliquei minha crença no fato de tudo que habita o universo ter uma finalidade, um motivo pelo o qual está aqui. Eu realmente acredito nisso, ou pelo menos o máximo que alguém como eu pode acreditar em algo. O que acontece quando se questiona demais sobre isso? Você acha que o universo tenta enlouquecer gente como eu porque pensamos demais? Eu não quero isso mais, universo, pode tirar de mim. Eu quero mergulhar numa ignorância profunda, quero não querer questionar, quero me sentir satisfeita com o fato de que nunca vou saber tudo e cumprir um papel qualquer, e encontrar alguém, dividir a vida, fazer dívidas, morrer, ser esquecida, virar pó, virar outras coisas, poeira estelar, adubo, um balanço de criança, uma explosão no centro de uma nebulosa. Tinha sangue nas minhas mãos 10 minutos atrás - sangue que eu mesma provoquei porque deus como é bom ter controle sobre algo. Meu ponto nunca chega a ser um ponto de verdade é só uma verborragia de quem tá bem cansada de quem devia dormir mas continua acordada porque quer colocar seu nome num big bang. Ah, a tola. Tola como os deuses quando criaram a si mesmos.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

The Depression Diaries, n° 40 - disclaimer

Eu tou num péssimo lugar nesse exato. E o pior é que parece um déjà vu agradável, feels like home. Não adianta quantas vezes quantos momentos bons eu tenha ou quantas piadas eu faça. Eu sempre vou acabar nesse mesmo lugar horrível mas reconhecível; um estado no qual você sempre acha um jeito de se punir. Eu preciso das pessoas mais do que elas precisam de mim, eu preciso das pessoas que nem sei se ainda tão na minha vida pessoas que tem outras vidas. Só estar perto, não me deixar sozinha com meus pensamentos, me ligar as 3 da manhã eu nao durmo muito mesmo conversa pergunta faz piada de mau gosto me chama pra fumar um cigarro mesmo estando a 20km de distancia. Eu sou uma cretina prepotente egoísta eu sei, eu falhei em aprender a como lidar com a vida, não fui feita pra isso, vim com defeito de fábrica. Não quero viver sendo sempre a que precisa mais eu não sou uma criança mas. Só estar perto, não me deixar sozinha com meus pensamentos mas não quero precisar de outros que tem outras vidas. Não sei mais como é que me sinto, mas queria conversar queria interagir com pessoas específicas mas também queria pular de um prédio queria abraçar queria dormir queria só pertencer queria fazer coisas que importam queria sentir coisas boas de novo fazer conexões; Eu to cansada de continuar a tentar tentar tentar tentar tentar tentar tentava tentar tentanrr tentar tentar tenatr tengarrtrrrerrr

segunda-feira, 25 de maio de 2015

The Depression Diaries, nº 39 - Não sou

Eu sou eu sou eu sou eu sou. Eu repito. Eu sou eu sou. Eu sou. Eu sou tudo o que dizem que sou, sou tudo o que não sabem o que sou, sou tudo o que fingem que sou. Eu só sou. Só existo. Só continuo viva. Só continuo sorrindo e fingindo e socializando. Continuo continuo continuo. Até quando? Desse jeito? Pra sempre. Pra sempre? Pra sempre sentindo esse tufão dentro do meu peito, que quer a liberdade pra poder destruir tudo a minha volta? Eu não quero ser o tufão. Eu quero ser a brisa fria num dia quente na praia, vindo em ondas e ondas de alívio. Eu quero ser esse tipo de brisa. Mas eu sou o tufão. Sou o tufão e assusto todo mundo, sou o tufão e destruo tudo que toco. Então porque continuar vivendo? Minha psiquiatra diz que eu preciso ter mais atividades que eu goste na vida, que eu preciso ter goals que eu preciso precisar. Nem funcionar como uma pessoa normal eu consigo, imagina precisar de alguma coisa ou alguém. Eu até preciso, mas não acho que mereço tanto. O fim da minha faculdade se aproxima e eu não tenho a mínima ideia do que fazer sobre tudo. Meus amigos estão seguindo a vida sem mim, fazendo planos, botando os planos em prática, namorando, viajando, se comprometendo com coisas e eu continuo aqui apenas... sendo. Na verdade eu não sou porra nenhuma, essa que é a verdade. E o não ser porra nenhuma é pior do que ser qualquer merda. Eu me auto saboteio, eu faço tudo que é errado porque sim eu não mereço nada certo. Não mereço ninguém certo. Nada nada nada nada. Eu choro e nem sei porque. Tem coisa mais ridicula? Eu sangro e nem sei porque. Sangro sangro sangro sangro sangro sangro. Eu quero gritar mas não acho que eu mereça gritar. De qualquer jeito eu me mato mesmo depois do meu aniversário e então nada vai importar. 

terça-feira, 7 de abril de 2015

The Depression Diaries, nº 38 - Palavras

A humanidade começou a se definir como raça inteligente e capaz de se expandir pela Terra através da escrita, que obviamente permitiu o início da comunicação inteligível entre as pessoas há cerca de 9 mil anos atrás. E puta merda, eu sempre amei as palavras. Eu as vomitei nesse computador nessa internet nesse blog tantas e tantas vezes que parece traição dizer o que eu estou prestes a dizer. Eu não acredito mais nas palavras. Nas palavras escritas, nas palavras ditas, nas palavras pensadas e não faladas, nas palavras inventadas sem significado nenhum. Simplesmente não consigo mais. Eu as escrevo, eu as ouço, eu as penso, eu as invento e elas me atravessam como se eu fosse um fantasma sendo ignorado por um humano vivo na rua. Palavras não me tocam mais. Não me comovem, não arrancam meu coração ainda batendo de dentro do meu peito como se fosse nada, não conseguem mover nem um músculo sequer do meu corpo. Eu não consigo mais acreditar em nada, nem ninguém. Você me ama? Que pena que eu não acredito em você. Você me odeia, na verdade? Eu posso compreender. Importa pra mim? Não, mas seguimos em frente. Claro que não direi que as palavras nunca me serviram de nada. Durante certo tempo elas eram tudo a que eu podia recorrer. Elas eram boas, compreensíveis e então, sem um dia específico, se tornaram vazias, ocas. Como se volta de algo assim? Boas palavras sempre parecem falsas quando são dirigidas a mim, e a ninguém mais. Todo mundo as merece, menos eu. A voz na minha cabeça — minha consciência — sabe que eu sei que ela mente pra mim todos os dias, mas continuamos nossa relação de síndrome de Estocolmo. Isso não significa nada perto de chorar durante horas por que tudo que você consegue ser é um peso e estorvo e problema para os outros, chorar e chorar por que porra, todos esses remédios que eles querem que você tome são caros pra caralho e você sabe que mesmo não podendo seus pais compram. Como voltar a sentir que você merece alguma coisa boa na vida? Os limites do meu ser urgem essa resposta, mas eu não sei o que dizer. E não saber me mata todo dia, assim como ao mesmo tempo saber de mais e perceber demais rasgam minha pele por dentro como se alguém estivesse a cutucando com um palito. É sempre mais fácil voltar às dores que te parecem tão familiares e acolhedoras do que se arriscar a sentir alguma alegria. Há tanta coisa que só imaginei e nunca vivi que me parece mais viável abandonar minhas palavras escritas e faladas e me resignar ao que eu posso imaginar, às pessoas que eu posso usar na minha mente e depois fingir que não significam nada pra mim. As palavras não são nada perto da minha mãe sentada do meu lado na cama enquanto eu ponho pra fora toda a água que existe dentro do meu corpo, por que puta que pariu, eu não consigo mais sair de casa. Não há nenhuma coisa bonita habitando dentro de mim, não mais. Tudo que me resta são os poços e pilastras e escombros de um mundo que quase atingiu seu apogeu, por que mesmo quando eu não sabia como, eu amei quem eu podia. 

“When is a monster not a monster? Oh, when you love it.” 
  Caitlyn Siehl

quarta-feira, 1 de abril de 2015

The Depression Diaries, nº 37 - Wolves and girls both have sharp teeth

A sensação que eu tenho é que eu tou morrendo aos poucos, bem lentamente sabe. Não consigo mais dormir mais de duas horas sem acordar aterrorizada com pesadelos do quais não me lembro depois. Não consigo mais passar muito tempo ao redor de muita gente sem entrar em pânico, porém ao mesmo tempo quero ter a disposição de chamar as pessoas pra ir aos lugares comigo, lugares que a antiga eu costumava frequentar. Eu quero estar com eles e quero não estar, porque tou aterrorizada o tempo inteiro. Não consigo mais comer direito nem nas horas certas, não consigo achar nenhuma motivação pra cuidar de mim mesma. E então existe os milhares de morcegos que se debatem no meu peito querendo sair, e então existe dor dor dor dor dor dor e dor. E então existe dezenas de pessoas me dizendo dezenas de coisas das quais eu já sei. Sim, eu sei disso tudo. E sei daquilo também, sei do que você pensou em dizer mas preferiu não falar. Meu problema reside nisso, eu acho. Saber demais e mesmo assim não achar respostas pros meus problemas. Eu posso lutar, de verdade. Eu venho lutando a minha vida inteira, assim como minha mãe antes de mim e minha avó antes dela. Venho de uma família de mulheres que lutaram a vida inteira pra conseguir sobreviver nesse mundo. Eu tenho lutado desde que tenho memória, mas não sei entrar em guerras sem motivos. Faça-me acreditar na sua ideologia, na sua pessoa, no que você representa e eu lutarei por e com você até o fim. Tudo que eu conheço é o campo de batalha, coberto de derrotados que mascaram minhas cicatrizes e desviam meus olhos do céu azul da vitória. O único inimigo que eu não consigo derrotar é aquele mais ardiloso, mais traiçoeiro, mais familiar. Ninguém nunca me ensinou que meu pior nêmesis seria aquele que mora dentro da minha cabeça, que me fala e me convence e passa despercebido quando se disfarça de meu verdadeiro eu. Eu sou o único coração que não consigo salvar sem destruir todo o resto do ser. Não consigo abraçar causas perdidas.

"Men make me cry. 
Women make me wish I was brave. 
Not a soul in this world could love me. 
I wouldn’t even know what it looked like." 

Caitlyn Siehl, The Untouchable

domingo, 8 de março de 2015

The Depression Diaries, nº 36 - People get tired of you being sad

Uns bons anos atrás quando comecei a usar a internet e frequentava muita lan-house, minha mãe pediu pra que eu pesquisasse sobre a síndrome com a qual minha irmã mais velha nasceu (síndrome de turner). Sempre ficou na minha cabeça que desde que entrei em depressão ela nunca nem demonstrou interesse em se informar mais sobre minhas doenças, sobre como é viver desse jeito, o que causa etc. Sabe porque? Porque ela não acredita que essa isso tudo é real, de verdade. Eu não tenho raiva disso, sabe. Juro. Já tive, mas hoje eu meio que entendo. As pessoas ficam assustadas quando você fica doente. É por isso que eu escondi por quase um ano da maioria das pessoas na minha vida que eu tinha depressão. Eu evitei ir em médicos, evitei deixar que as pessoas percebessem. Porque eu sabia que elas iam ficar assustadas. Em um minuto tudo vai de normal à diferente, um olhar diferente, um toque diferente. Você sempre está triste e isso se torna mais do que habitual. Você se torna uma pessoa triste, não como um sentimento que você possui em determinados momentos, mas você se transforma no embodiment (eu esqueci a tradução) da tristeza. Talvez eu devesse mudar meu nome pra Tristeza Macedo. Eu não quero ficar sozinha, eu juro. Eu to cansada de ficar sozinha. Mas me soa tão doloroso deixar outras pessoas entrarem nessa bagunça que é minha vida. Há tanta culpa envolvida, tanto sentimento envolvido. Eu sei que eu não sou a melhor das pessoas nem a mais altruísta nem nada dessas qualidades boas que todo mundo geralmente tem. Eu só queria... queria............................ sentir que eu existo. Sentir que eu ainda pertenço. Que pertenci. Queria aprender a sentir que não preciso criar expectativa sobre ninguém. Porque ninguém nunca vai chegar nem perto do que eu queria. E eu queria tão pouco. Eu só queria um lugar uma pessoa uma coisa certa nessa vida. Algo seguro. Algo. Algo.

"Nothing's lost forever. In this world, there is a kind of... painful progress. Longing for what we've left behind and... dreaming ahead. At least I think that's so."
Tony Kushner, Angels in America

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

The Depression Diaries, nº 35 - Toda errada

Aqui vão algumas coisas que são 100% verdade na minha vida atualmente: eu estou cansada o tempo todo, mesmo me levantar da cama ou esquentar comida pra me alimentar parece ser o esforço que o spider-man teve que fazer em spider-man 2 pra conseguir parar o trem antes que ele descarrilhasse; eu nunca consigo dormir antes das 5 ou 6 da manhã sem tomar remédios porque eu me ocupo muito torcendo pra que eu não acorde no dia seguinte; por falar nisso, eu penso e penso e penso todas as horas do dia como seria libertador se um raio ou um avião caísse na minha cabeça e eu finalmente pudesse apenas parar de viver, mas a pior parte é quando penso em eu mesma dando um fim nisso. Não é que eu seja totalmente egoísta e sem conhecimento de que minha vida toca outras vidas, é que vai chegar um determinado momento em que eu não vou mais me importar. Não vai fazer diferença. Continuando: eu me sinto uma merda o tempo inteiro. INTEIRO. Não tem pausa, não pára durante feriados ou fins de semana e nem mesmo nas férias. Eu quero largar meu trabalho porque tem dia que eu mal consigo sair de casa, eu não tenho a mínima ideia se vou conseguir pagar DUAS matérias na faculdade esse semestre, nem mesmo sei quando ou se vou me formar. Pela primeira vez na minha vida eu tou completamente no escuro, sem perspectiva de futuro nem me importando muito em ter. Tudo, desde o que passa em frente aos meus olhos até a comida que entra na minha boca, parece ter perdido a cor, o gosto, o senso de realidade. Por falar nisso, minha memória está uma merda. A memória recente, principalmente. Às vezes eu não consigo lembrar palavras, não consigo me situar bem na estrutura do tempo — eu perco noção dos dias e das horas, como se minha mente simplesmente deletasse algumas coisas. Simplesmente dói continuar existindo. Então como se vive assim? Mesmo vivendo, continuo sem saber.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

The Depression Diaries, nº 34 - Me leve a mal

Eu não sei como começar conversas, não sei como começar amizades, não sei como desenvolver intimidade e muito menos como falar sobre mim e meus supostos sentimentos (de existência não confirmada). Ainda assim eu consegui ter apelo suficiente pra que algumas poucas pessoas quisessem ser minhas amigas (?). É complicado pra caralho se importar com as outras pessoas (?) e ter sentimentos (?) e elas terem sentimentos (?) por que meu cérebro literalmente faz um ??????!!!!!!!!??? dentro da minha cabeça. Acho que eu ainda tou aprendendo a lidar com o fato de que as outras pessoas por algum motivo são afetadas sim pelas minhas ações. Durante minha vida inteira, quando eu me senti muito ameaçada ou vulnerável minha reação imediata era me isolar simplesmente por que eu sempre considerei que fosse substituível. Às vezes ainda acho que sou, e a pior parte é que não fico mais triste sobre isso. Eu só quero que as pessoas que eu amo sejam felizes, independente da minha presença ou não. Minha auto estima é tão baixa que eu já deve ter chegado no nível do pré-sal. Eu ainda gosto das pessoas, tho. Acho que só não gosto mesmo é de mim, e não acho que seja necessário eu fazer os outros passarem por isso (eu). Nunca foi minha intenção magoar ninguém, de verdade. Se eu pudesse eu tomaria todas as dores de todo o mundo e estocava dentro de mim. E tem dias que eu acho que acabei conseguindo o que eu queria, afinal.

"We assume others show love the same way we do — and if they don’t, we worry it’s not there." 
Amy Przeworski

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

The Depression Diaries, nº 33 - Dragão vs caneta vs tristeza do nada

Às vezes minha depressão é um dragão que quer destruir tudo por onde passa. É como se houvesse um fogo dentro de mim e eu tivesse que gritar e bater e não deixar ninguém me tocar nem falar com ninguém. Em outros dias minha depressão é uma caneta, pequena e imperceptível, que eu carrego por aí na bolsa sem nem notar. É quando você acha que está ficando curada. Quando você começa a duvidar de si mesma, se perguntando se você não estava fazendo/fingindo tudo aquilo só por atenção. A tristeza que vem do nada geralmente é quando eu vejo pessoas. Pessoas que amo, pessoas que quero que estejam bem e sejam felizes. Não me deixa triste o fato delas estarem felizes, prosseguindo bem na vida. Jamais. Me deixa triste o fato de eu saber que não posso ser assim como eles, que não posso fazer nada senão ficar pra trás. Mas eu continuo tentando, sabe. Por que me pediram. Por que é a única coisa que sei fazer agora. Ou talvez por que eu só queira atenção mesmo.


"Don’t you think there is always something unspoken between two people?"
Tennessee Williams, from 27 Wagons Full of Cotton and Other Plays

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

The Depression Diaries, nº 32 - Tudo o que não posso controlar

Minha mente tá a mil por hora o tempo inteiro e essa porra tá me matando. Tenho vontade de gritar CALA A BOCA UM MINUTO CARALHO mas eu temo que seria uma boa razão pra finalmente me internarem num hospício. Eu odeio que eu tenho que admitir que eu não consigo ser um membro funcional da sociedade sem tomar a porra de um remédio pra fazer minha cabeça funcionar direito, pelo menos nos períodos em que tenho que sair de casa. 

Eu ainda estou tentando encontrar meu propósito, sabe. Eu ainda tou tentando descobrir se minhas ações são as certas, se os passos que dou não são egoístas ou ingênuos demais. Quando você está doente, você perde o controle sobre um monte de coisa que antes você controlava perfeitamente, e isso destrói aos poucos. Te destrói quando você não consegue acalmar sua própria mente nem convencê-la de que não você não está morrendo apenas está tendo um ataque de pânico, te destrói quando você não consegue vencer a batalha entre você e seu cérebro que te diz que você não vai conseguir levantar da cama ou comer ou tomar banho. Aí então você se apega a qualquer coisinha que você possa comandar, tal como afastar as pessoas pra que elas não te vejam em tal estado, tal como abrir cortes no corpo, tal como sumir por dias e deixar seus amigos pensarem que você morreu. Como diabos se acha um motivo pra continuar vivendo se você não sabe nem mais quem você é? A bagunça na qual me tornei tem pedaços de muitas pessoas, de muitos momentos e em muitos deles eu só fui feliz porque esqueci que eu era eu. Ano passado algo se quebrou dentro de mim, e cada estilhaço que sangra é uma razão pela qual eu não tenho a mínima ideia do que fazer da minha vida. A única coisa que ainda me parece real são as pessoas que se dispõe a estar ao meu redor, que continuam aqui apesar de todas as minhas tentativas de mandá-las embora. Ainda estou pra decidir se isso custa uma divida eterna ou é apenas uma visão privilegiada do que restou de mim.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

The Depression Diaries, nº 31 - Trip, pt 2

Em meados de 2011 eu escrevi uma carta pra eu mesma abrir e ler em 2019, ou seja, em 8 anos. Tanta coisa aconteceu nesse meio tempo, de 2011 pra cá nesse momento de 2015, que eu nem sei mais se reconheceria minha própria escrita no papel. Eu era uma pessoa completamente diferente e agora eu sou uma pessoa completamente diferente, só que não pra melhor como minha eu do passado esperava que eu estivesse sendo. Desculpa, inclusive. Não sei como diria pra essa minha antiga eu que eu nem sei se vou conseguir sobreviver até 2019. Que nem sei como vou conseguir sobreviver a 2015. Que nem sei o que vou fazer semana que vem quando voltar pra minha cidade e pra minha realidade sem amigos. Eu quero tanto, mas TANTO morrer. Nunca quis tanto antes em toda a minha vida. Não que eu não esteja apreciando a presença dos meus amigos que me amam e tal. Não que eu não esteja com saudades da minha família e dos meus bichos. É só que eu não consigo sentir nada além da vontade de que caia um meteoro em cima da minha cabeça e acabe tudo isso. Não consigo sentir remorso pela dor que causaria àqueles que me amam, não consigo não olhar pros meus amigos aqui e não tentar gravar todos os momentos com o máximo de detalhes possíveis por que meu cérebro me diz que será a última vez que eu vou vê-los. Eles merecem coisa melhor do que eu, de verdade. E eu nem sei mais quem sou eu, o que vou fazer, quem vou ser, como vou ser. Sou rascunhos de uma história bagunçada.