segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

It had to be you.


Depois de todos os porquês requeridos nesses meses, eu finalmente cheguei a uma resposta que não corresponde às minhas expectativas ou projeções, mas que talvez deixe as coisas mais claras daqui pra frente. Pelo menos em relação a você, tão conhecido entre minhas palavras e minhas lembranças inventadas, tão rei do mundo inteiro que se constrói e se destrói todos os dias em minha mente. Tanta gente passou pela minha vida nos últimos anos, tanta. E só você ficou. Ficou de metido que é, ficou por que quando todos os outros se assustaram com meus piores lados e desertaram antes das dez da manhã, você contou piadas o dia inteiro até todos os monstros irem embora. Olho para trás e vejo que poderia ter sido qualquer um deles a quem meu coração poderia ter escolhido amar, contudo foi você. O cara da esquina, o cara da livraria, o cara que tem uma risada sensacional, o cara que gosta dos mesmos livros e das mesmas músicas que eu. Mas foi você. Você que é um perfeito idiota. Alguém que às vezes eu não consigo compreender como age, mas que continua sendo um dos maiores detentores da minha fé tão escassa. Nunca foi nada sobre quilômetros, nem sobre idades, nem sobre ausências. Sempre foi apenas sobre você e eu, uma série de impossibilidades e diferenças quase estratosféricas. Sempre foi você, seu idiota. Era de você quem eu lembrava quando tocava alguma música num bar ou quando estava bêbada, era você que eu esperava que gostasse das músicas novas que eu descobria, era com você que eu queria dividir alguma coisa nessa vida. Talvez você ainda não tenha percebido, mas isso aqui, esse nós, esses meses, não é uma competição. Às vezes eu tenho vontade de gritar na sua cara todos os vazios e buracos que você deixa e faz em mim, desenhar todos eles, embrulhar e deixar na sua porta. Toma que tudo é obra tua, que tudo é resultado das tuas palavras, do teu silêncio. No entanto, eu apenas engulo. E tudo isso desce corroendo a minha garganta como se fosse ácido fluorídrico, do jeito mais lento e doloroso possível. Qualquer cara no mínimo alfabetizado poderia ter me tido. Qualquer cara que não xingasse meus filmes e livros favoritos, qualquer cara que não achasse a maioria das músicas que escuto completamente babacas, qualquer cara que insistisse em saber o motivo de meu choro e me consolasse. Mas foi você. Por que acho que amar é isso mesmo, ter a chance de querer e ter qualquer habitante do mundo, mas só querer uma cretina pessoa. Um único imbecil que não entende metade das coisas que digo pra ele. Comecei e terminei o ano escrevendo sobre você, e temo que isso não tenha um fim próximo. Estou presa a você mais do que você supõe que está preso a mim por gratidão, e talvez não seja uma boa idéia, por hora, lutar contra isso. Eu vi em você uma luz brilhante que encheu meus olhos de estrelas e constelações e universos paralelos nos quais estávamos juntos e éramos lendas. Espere por mim e minha máquina do tempo na sua sala de estar, e esteja pronto para fazer a pergunta correta. Ela vale um milhão de mim.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Say hello to the bad wolf.

No fundo eu acho que só estou cansada. Cansada de dizer e me sentir cansada, principalmente. Os anos começam, os anos terminam, os anos passam e eu continuo sempre reclamando das mesmas coisas, até mesmo reclamando que eu sempre reclamo das mesmas coisas. Eu odeio tudo isso, na verdade. Odeio do lugar mais profundo do meu coração e vou odiar para sempre. Odeio essa necessidade de estar sempre relembrando tudo, sempre rebobinando coisas que deviam ficar tão enterradas quantos os mortos e tesouros de piratas. Como se tudo fosse bonito, como se tudo fosse brilhante. Acho que a palavra que mais usei durante todo este ano foi "você". Um você que foi milhões de pessoas, um você que foi de quem nunca conseguiu me entender direito. Então daqui pra frente é o seguinte: me entendeu? Bom. Não me entendeu? Vamos em frente. Às vezes é tão desgastante viver querendo que os outros te compreendam que quase estou apertando o botão vermelho e desistindo de fazer sentido para este mundo. Embora que eu ainda tenha muita vontade de segurar no ombro alheio e sacudi-lo, enquanto berro: acorda pra vida, você tá me perdendo, seu idiota!, mas parece tão inútil. Assim como qualquer coisa que não tenha resultado efetivamente real. Só preciso aprender a lidar com esse menos que a vida têm me dado. Por que quando eu acho que posso realmente ter algo, aparece um pedágio caro demais para eu pagar. É um ciclo eterno e aparentemente inquebrável que vem me atormentando durante toda a minha vida. Mas continuo querendo o muito. O grande, o infinito, o mais bonito, o que não cabe dentro de um quarto de hotel. Ei você aí – sim você mesmo  me leva pra perto, me salva no teu computador e faz um backup de mim pra que assim você nunca me perca, pois eu já me perdi. Sou egoísta demais para pedir ajuda. Por isso continuo aqui presa nesse quarto de espelhos condenada eternamente a ver cada pedaço horrível meu, cada obscuridade, cada monstruosidade, cada pecado. Meu maior egoísmo sempre foi querer ter as dores do mundo só pra mim, enquanto os outros poderiam ter a felicidade que nunca conheci. Amei e odiei cada sentimento que já tive nesta vida, e espero tê-los usado direito. Ainda sou a ladra de livros escondida no porão enquanto todos lá fora morrem, enquanto tudo e todos que já me pertenceram se vão como pó ao vento. Então, mais um ano vem aí. E eu vou chegando também. E todo o amor que sinto vem andando ao meu lado, tentando me dar esperanças de ter mais dias felizes do que eu possa contar nos dedos. A fantasia aliada ao mundo real nunca é uma boa combinação para quem a tem, então eu a deixo restrita aos universos que criei. E mais uma vez, me sinto um rádio quebrado que insiste em tocar a mesma música, mesmo sabendo que ela não vai mudar em nada a cada vez tocada. Eu te amo, mas também sou tentada pela desistência. Continuo cometendo erros e acertando algumas vezes, mas também me canso. Essas coisas doem, de vez em quando. Mas a gente sobrevive. E que venha mais um ano. E que venham mais dez, vinte anos. E que eu mude, que você mude. Que a gente se encontre de vez em quando, se a vida nos permitir. Quero olhar para o espelho e ver todas as minhas palavras escorrerem dentro de mim, todas aquelas com as quais matei e salvei algum dia. Quem sabe eu descubra que o necessário para mim talvez não seja aquilo que mais desejo. Não tenho certeza de nada, mas continuo querendo sempre tudo bem limpinho, de um branco quase cegável, não importando o que eu tenha que sacrificar para isso. Nada pode perder quem nunca teve coisa alguma. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

About what we deserve and end of year

"What's the difference if I say I'll go away when I know I'll come back on my knees, someday? For whatever my man is, I am his forever more."


O meu problema sempre foi acreditar que alguma coisa nessa vida viria e se manteria facilmente para mim. Tenho a certeza de que fui agraciada com algumas coisas boas ao longo da minha vida e sei reconhecer tal coisa. Não sou nenhuma Auta de Souza que só teve a vida recheada de desgraças, mas posso dizer que tenho uma coleção bem vasta delas. Cada uma mais letal do que a outra, cada uma mais professora do que a outra. Às vezes eu sinto como se a vida estivesse sempre com um bastão de beisebol em mãos, me batendo a cada vez que eu tento me levantar da queda anterior. E isso é um ciclo vicioso, uma maldição que tenho carregado pelo resto da minha existência por algum dia ter me tornado algo. Vivo nessa assombração eterna de um passado que arrasta meu presente e meu futuro para o mesmo buraco negro onde ele se encontra bem além do fim do universo. Não vou dizer que nada me abala por que eu sou humana. Não vou dizer que estou arrependida de algo por que seria mentira. Eu me prendo ao meu silêncio que me acolhe maternalmente desde que eu era criança, e muitas vezes pareço mais distante do que as distâncias que nos separam. Ainda estou tentando me acostumar com a idéia de que somos só isso mesmo, de que estamos limitados a esse quase nada que talvez algum dia deixe de ser impossível nesse meu mundo de possibilidades infinitas. Com você me tornei muito, me tornei nada, me tornei Deus e me tornei a criatura mais vil que a Terra já abrigou. Talvez eu não tenha feito muitas coisas boas em minha vida e talvez por isso não seja merecedora de muitas delas, mas eu nunca vou me desculpar por tudo o que fiz para te manter a salvo desse mundo que sempre parece querer te levar pra longe de mim. Talvez eu não saiba mesmo amar e continuo oferecendo esse Corcunda de Notre-Dame em forma de sentimento a todos que algum dia ousaram passar pela minha vida, mas eu sou assim desse jeito torto, desse jeito fantasioso. É por isso que às vezes eu acho que você merece mais, muito mais do que eu posso oferecer. E você sabe que isso é verdade. Eu não quero ficar aqui e também não quero você aí. Vou começar a mandar no mundo enquanto você brinca de ser meu. Comandarei minha própria Estrela da Morte rumo à destruição total para te defender dos perigos intergaláticos que lhe espera. Por que você vale a pena, em todos os motivos bíblicos, destinais, bélicos e divinos impossíveis. Vou arrancar a cabeça de qualquer um que ousar pensar em te ferir, me tornarei mais monstro e aberração do que já sou se for preciso. Eu não sei o que eu mereço, porém pelo visto, não é você. Gostar assim tem me parecido viver de migalhas esperando que algum dia eu seja premiada com as guloseimas permitidas a todos os outros. E esse é um dos motivos pelos quais eu odeio fins de ano. Tudo o que você não tem é esfregado na sua cara como se você fosse um fracassado por não ter conseguido nada além de sentir auto piedade. Somos mais bandidos do que mocinhos da nossa própria quase-história, atores ruins de um filme de quinta categoria que não chegou nem a ser lançado. Estamos presos nesse vazio que existe entre acontecer e virar passado, você nesse seu País das Maravilhas e eu nas profundezas de Angband. Todo fim de ano chegará e seu nome ainda estará na minha árvore de natal no lugar de sempre, esperando você vir buscar seu presente. Vou olhar pela janela e lembrar como você odiava altura, enquanto tudo o que eu queria me sempre me jogar do lugar mais alto possível. Eu, que sempre vivi num mundo que aos olhos dos outros é impossível, só queria que nós fôssemos possíveis. Sem palavras nenhuma, sem medo nenhum, sem fantasia nenhuma. Salvarei a mim mesma como sempre fiz, catando os pedaços que restaram no final e sendo a engraçadinha que tem sempre uma piada na ponta da língua. Eu, como dona do mundo, terei parte de mim vivendo em você, já que quase não suporto viver mais dentro deste corpo. Afinal, metade de mim sempre foi patrimônio seu.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Em um buraco no chão vivia um hobbit.


Dizem que depois de certa idade ser aficionado por alguma coisa é apenas perda de tempo. Mas o que não consideram sobre isso é o amor que você pode adquirir por tal coisa. Amar profundamente uma história e seus personagens vai muito além de ser fã. E então, um dia, eu encontrei a passagem secreta. Fui parar diretamente nos longos e verdes campos da Terra-média e lá encontrei pessoas que por mais que me digam que não existem, que apenas são fruto da imaginação desenfreada de um simpático senhor sul-africano, se tornaram minhas melhores amigas. A sensação, à primeira vista, foi de ter achado, depois de longos anos de procura, o meu verdadeiro lar. Quando eu era criança sempre esperava que algum dia alguém viria e me levaria para além do que se pode ver, onde meu verdadeiro e único lugar no mundo estaria à minha espera. Um lugar que mesmo depois de tantas guerras, consegue ter as terras mais bonitas do universo. Recebi a hospitalidade dos elfos, ouvi as gloriosas histórias dos anões, lutei ao lado dos homens de Gondor e Rohan e cantei e dancei nas animadas festas dos hobbits. Todos eles foram meus amigos quando ninguém mais foi, e me ensinaram coisas que me fizeram ser o que sou hoje. Boas histórias são as que conseguem nos fazer absorver algo delas para usarmos em nossas próprias vidas. Tudo o que o sr. Tolkien nos deixou sobre lealdade, amizade e perseverança faz parte de um legado que será sempre passado de geração em geração, não importando o quão criticadas e ridicularizadas suas histórias sejam por alguns. Gostaria de poder tido a honra de conhecer a pessoa que mais admiro em minha vida, Sir John Ronald Reuel Tolkien, para dizer o quanto sou grata por tudo o que suas histórias fizeram por mim. Podem se passar 60 anos e eu ainda vou saber o nome de cada personagem, cada reino, cada floresta. Podem fazer qualquer comentário pejorativo sobre O Senhor dos Anéis que só me fará amar mais essa história. Sinto que agradecer muito nunca será o suficiente para dizer o quanto eu me sinto única e especial por ter sido arrebatada pelas aventuras da Terra-média e de seus habitantes. As palavras de J.R.R. Tolkien são sobre qualquer criatura poder salvar o mundo se continuar seguindo em frente sempre, independente dos obstáculos que colocam à sua frente. Sobre ter a coragem de carregar um fardo que não era seu, sobre ser amigo de alguém mesmo quando ela não merece tal amizade. Não acho que alguém precise me entender ou mesmo gostar disto por minha causa, apenas que consiga imaginar a importância de O Senhor dos Anéis em minha vida. Talvez você não entenda, mas eu não me importo. Obrigada a Frodo, Sam, Merry, Pippin, Bilbo, Aragorn, Arwen, Legolas, Galadriel, Elrond, Gimli, Gandalf e todos os outros, por terem sido minhas companhias quando eu não tinha ninguém. Por me fazerem rir e me fazerem chorar, por terem me dado esperança e fé quando eu estava perdida. E obrigada ao sr. Tolkien por me mostrar que com a imaginação, você pode fazer qualquer coisa. Tudo pode ser real se você apenas fechar os olhos. Até sempre, bons amigos. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

FUI



Soa fácil para quem assiste de fora dizer que fui covarde. E não lhes nego o direito de me rotular como tal. Mas eu estava lá. Ele e meus dois eus; o que estava dentro de meu corpo e o que estava ao lado da porta como um mero espectador. Em meus diálogos com o espelho tal situação sempre pareceu mais fácil e tornava-me bem menos vilã do que pareci ser no ato real. E no fim, eu fui embora. Fui por que assim como você não era a pessoa certa para mim, eu também não era a pessoa certa para você. Não naquele momento. Tinha a teoria de que nos encontramos do jeito errado e na hora errada, contradizendo toda uma linha astrológica que premeditava nosso encontro. Nós quebramos o destino e no fim, acabamos nos quebrando também. Fui por que acabaria me tornando uma pessoa medíocre ao seu lado e acabaria te culpando por isso. O que vivemos foi tão inestimável que seria um crime permitir que tal coisa acontecesse com isto. No fundo você sempre soube que assim como Arthur Dent, eu sempre fui uma mochileira das galáxias que não fixa território em canto algum. Engraçado como você planeja toda uma rota de existência - que não inclui ninguém além de você – e a vida vem e passa com um furacão em cima dela e de tudo. Você foi isso: meu furacão. Meu debulhador de palavras, meu mercenário de sorrisos, meu oceano de lágrimas, meu invólucro imperfeito. Você foi o meu que agora devolvo, e que espero que seja bem cuidado por outro alguém. Eu fui, mas tenho plena certeza de que ainda há mais para nós por aí do que podemos imaginar. Que um dia esse nosso encontro estelar acontecerá da maneira certa, mesmo que não seja nesta vida. Eu te disse que partiria, porém você nunca acreditou. Nunca acreditou em nada que vinha de mim. Deixei meus olhos ao lado da tua cama para que sempre me veja em seus sonhos, e deixei meus braços em teu antigo travesseiro para que a solidão não tenha que ser sua companhia. Desde que apertei tua mão sabia que apesar de meu corpo não estar mais visível aos teus olhos, você sempre seria possuidor de uma parte de mim que não morrerá jamais. Somos o assunto inacabado um do outro, maldições que se arrastam por séculos e nos unem cada vez mais a cada vida que nos cruzamos. Fui, e iria novamente se pudesse voltar no tempo até o exato momento em que disse até logo. Fui, e algum dia voltarei. Voltarei enfrentando tuas mudanças e tentando lidar com as minhas que eu achava serem tão superiores. Voltarei trazendo de volta nossa genialidade, nossas músicas, nossas diferenças e meu fantasma. Aqui irei eu novamente vinda de tão longe para bagunçar tua vida em busca de algo que nem sei mais se existirá. Fui por que a vida clamava por minha mente e voltarei por que não posso viver por muito tempo sem metade de mim. Embora que eu nunca tenha te pedido para me esperar, você esperará, eu sei. Fui embora para salvar o mundo, já que eu não podia salvar a mim mesma. Fui para tentar ser o eu que você sempre pensou que eu fosse. Antes de partir, não tem idéia de quantas vezes tentei me convencer de que aquele era o momento certo e que você era a pessoa certa para mim, como foi tantas vezes nas minhas fantasias perfeitas de eternidade. Para sempre me parece ser um longo tempo, embora que ele seja somente mais uma ponte para nós que já atravessamos dezenas delas ao redor do infinito. Fui, parti, desertei, o que vocês quiserem chamar. Mas sinto que esta foi a primeira vez que fui honesta com outra pessoa em minha inteira vida. Tanto a hora quanto o momento certo aparecem e se vão numa velocidade enorme, portanto não quero deixar que isto se vá desta maneira. Não deixo nada para trás a não ser as lembranças dentro de você que ninguém nunca poderá apagar. A gente sempre se refaz, se recompõe, recomeça. E talvez você me esqueça, mesmo sem querer, mesmo sem perceber. E de qualquer jeito, sempre vou estar lá para assistir sua felicidade com um direito que nem sei se ainda terei. Aquele que sobreviveu e Aquela que esperou serão codinomes nossos conhecidos por todas as estrelas, a fiel fechadura profética que sempre nos une cedo ou tarde, agora ou daqui a dois mil anos, aqui ou em outra vida. Nosso encontro é a chave disso, marcando nossas idas e voltas apenas como períodos mutáveis. Talvez meu relógio esteja quebrado a certo tempo, mas quem sabe seja hoje minha nova chance de te ver no restaurante no fim do universo. É sempre um prazer conhecê-lo.

sábado, 26 de novembro de 2011

Duas mil milhas acima do céu.


“Sometimes the road ahead is paved with anything but good intentions.”
Elizabethtown


Estranho como as coisas parecem cada vez mais pequenas enquanto você cresce. O sentimento de sufoco se torna cada vez mais constante e parece que não há para onde correr antes de ser pego pelas obrigações. Pelo impossível que parecia possível até ontem. E no fim, tudo na vida é sobre sacrifícios. É sobre finalmente reconhecer que as coisas acontecem no momento certo, embora que isso seja realmente um saco de se agüentar. É notar um gesto que facilmente passaria despercebido por quase todos, mas que significa muito. Talvez as pessoas não tenham nascido para serem aquelas as quais se tornaram, entretanto elas fazem o melhor com o que têm. Alguns não nasceram para ser mães carinhosas e receptivas, mas do seu próprio jeito estão cuidando dos filhos como podem. Outros têm tão pouca fé em si mesmos que a glória parece mais surpreendente do que o fracasso. Outros ainda são ingênuos demais para suportar e comportar um sentimento que parece mais ferir do que alegrar a ambos. Ainda há quem se afogue em si mesmo de tanta culpa por algo que nunca será errado, temendo mais acertar do que errar. Além disso, ainda existem aqueles que estão sempre cheios de si por fora, enquanto são desesperadamente vazios por dentro. Engraçado como você pensa no futuro e nas diferenças que terão acontecido até lá quando o que ocorre na realidade é simplesmente um monte de nada. Sem sacrifício, não há realização. Sem sacrifício, não há mudanças. Sem sacrifício, não há nada. Desfrute de seu esforço e pague o seu preço. A questão sempre é se seu sacrifício vale a pena. Se você vai olhar para trás depois de atravessar a linha de chegada e ter a certeza de que faria tudo outra vez. Por que eu não faria. Se tivesse a mínima chance de ter escolhido outro caminho que não me levasse a você, não a desperdiçaria. Mas eu estou aqui, não estou? E não consigo desistir. E não posso. Não agora, não depois de tudo. E não depois de você. E não antes de te ter, mesmo que seja por pouco tempo. Aí depois de te entrego, lavado, passado e amado. Não basta ser, tem que parecer também, infelizmente. As pessoas acreditam mais em atos do que em léxico e no final, eu também. No final eu cresço, mesmo que não seja em altura. Eu pulo fases que você nunca imaginou que existissem, embora que algum dia chegará até elas como eu. A enfadonha e sem graça resolução da vida é que ela é apenas uma soma de quantas vezes você continua apanhando dela e ainda fica em pé. Não importa quantas vezes me nocauteiem, continuarei me levantando quantas vezes forem necessárias. E se percebe que há sempre coisas maiores por aí do que seu sofrimento. E que ninguém precisa saber. É triste ver como nos acostumamos mais com a ausência do que com a presença de algo ou alguém, o que torna o aparecimento de tal coisa ou pessoa a verdadeira surpresa. Não sei porque ainda vivo assim. Sinceramente, eu sei. No fundo a gente sempre sabe. Mas por enquanto está tudo bem. Quanto mais tempo passa, tudo fica cada vez mais claro. Enquanto se sai por aí sorrindo como se houvesse descoberto o maior dos tesouros, a luta contra os demônios internos continua. E me repito sempre, como você disse. E me torno cada vez mais impermeável, como você disse também. Não há algum segredo para sobreviver, assim como não há receita para diminuir a dor. Você somente a suporta, esperando o momento em que ela anestesie a si mesma. Não importa de onde você veio ou como você chegou até onde está, mas sim as escolhas que fez e as que fará. Por que vale a pena. Só não ficar em cima do muro já vale a pena. Só não ter medo de cair já é muito. E se cair, é você quem decide se vai estender a mão para o alto em busca de ajuda ou se vai afundar resignadamente. De todas as estradas que meus olhos já viram até hoje, as que me levam até você sempre são as mais bonitas. E agora eu pago o preço. 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Se você pular, eu pulo.

"O inferno que vem de você é o céu que eu sempre sonhei."


O ar quente que subia do rio parecia não condizer com a temperatura do resto da cidade. Seu rosto começava a suar, por mais que não estivesse sentindo tanto calor assim. Mantinha os olhos fechados - como se não quisesse se dar conta do que estava fazendo e onde estava - e a noção de tempo já não lhe pertencia mais. O vento lhe passava por todo o colo e a nuca, já que havia cortado os cabelos o máximo que conseguira. Estava pronta para dar mais um passo adiante e cair na imensidão da água lá embaixo quando ouviu uma voz ao longe cantarolar: Súbito me encantou, a moça em contraluz. Arrisquei perguntar: quem és? E então afastou seus pés da borda, tentando achar o dono da voz. Antes que pudesse se virar completamente, sentiu uma fumaça quente atingir seu pescoço fazendo com que todos os pêlos dele se arrepiassem. Ao levantar seus olhos, viu um rapaz não muito mais alto que ela e que nunca havia visto antes em sua vida. E então ele repetiu: Arrisquei perguntar: quem és? 

- Rita. Me chamo Rita.
- Você fuma, Rita? - perguntou ele, dando mais uma tragada. A fumaça fazia seus olhos castanhos cintilarem.
- Não.
- Você bebe, Rita?
- Água.
- Você vive, Rita?
- Por enquanto.

No rosto do moço estava esboçado um sorriso que não se apagava jamais. Jogou o cigarro no chão e pisou em cima dele, aproximando-se da moça. Suas mãos, antes soltas no vento, agora seguravam a borda da ponte. 

- Acredita em alienígenas? - perguntou ele.
- Eu tenho que acreditar, afinal sou uma deles. Estive esperando a minha vida inteira para voltar para casa.
- Você é engraçada.
- Você fede a nicotina.
Mas oscilou a luz, fugia devagar de mim...
- Você só conhece essa música?
- Você só conhece o suicídio?
- Quando se vive na escuridão, tudo o que se deseja é um pouco de luz.
- Quer se inundar dela para sempre, mas isso é humanamente impossível. Tudo o que você precisa é ser tocada. Por si mesma, pelos outros. Estando aqui eu te toco também. 
- Ninguém tem nada a ver com o que se passa dentro de mim. Às vezes me pergunto até que ponto é papel dos outros segurar a barra que carrego quando eu estiver fadigada de tal coisa. Me parece mais fácil não incomodar ninguém e abrir um sorriso satisfatório dizendo que está tudo na mais perfeita ordem enquanto enquanto eu morro um pouco mais por dentro. Ninguém precisa tomar conhecimento do que me mata, assim como falar só faça com que eu me sinta idiota. Eu estava aguentando tudo isso sozinha, Deus sabe como eu estava. É muito fácil se isolar e esperar que a piedade alheia apareça, enquanto você se afunda nos restos do que já foi e viveu. É muito fácil se trancar num quarto e ignorar o resto do mundo, esperando que tudo desapareça. Difícil é levantar e andar na rua todos os dias sem perspectiva de um futuro melhor, já que o futuro virará passado depois da meia noite e todos sempre são iguais. Difícil é amar e sentir como se esse sentimento fosse errado, se sentir parte da parcela da humanidade que tem que se alimentar apenas de lembranças que nunca foram reais. Difícil é tentar se amar mesmo quando tudo o que você quer é apagar completamente durante dias sem fim. 
- Está tarde, vamos comer um sanduíche. Eu pago.
- Adeus.
- Se você pular, eu pulo. E levo aquela lua junto conosco. Levo o mundo inteiro. 
- Aonde você quer chegar com isso? 
E quando a segurei, gemeu - disse ele, pondo seu corpo para o lado de fora da ponte onde ela estava e passando o braço em volta de seu quadril. - O seu vestido se partiu e o rosto já não era o seu.
- Porque você não me deixa?
- Porque você se deixou. 

(silêncio)

- Está tão frio.
- A água lá embaixo está muito mais.
- Todos me deixaram. Todos sabiam que eu pularia, e nenhum deles tentou me impedir. E você, um estranho, está aqui. 
- Eu tenho todo o tempo do mundo para te salvar - e então segurou a mão da moça. - Não irei a lugar algum.
- Todo o tempo do mundo acabará se eu pular.
Um lugar deve existir, uma espécie de bazar onde os sonhos extraviados vão parar.
-  Você é maluco, já te disseram isso?
- Não era eu que queria me jogar da ponte, moça. Moça do meu sonho.
- Já sonhei demais, e me perdi. Todos se perdem e enlouquecem, menos você. Menos eu. 
Entre escadas que fogem dos pés e relógios que rodam pra trás, se eu pudesse encontrar meu amor, não voltava jamais.
- Você acredita em vida após a morte?
- Acredito em morte após a vida. Só se tem uma, então não a desperdice. Sonhe comigo, moça. 
- Eu quero o paraíso.
- Durma comigo esta noite. Sonhe comigo.
- Quero um vôo livre, mas não quero que a queda doa. 
- Segurarei você, eu prometo. Voe, moça do sonho. O mundo é seu. Não irei a lugar algum - sem você. 
- Você tem asas?
- Sim.
- E qual foi o lugar mais bonito onde já esteve?
- Em seus olhos.

Música do (e que é citada no) post: A Moça do Sonho - Chico Buarque

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O clichê do Para Sempre de você e eu.


A minha maior dificuldade sempre foi tentar parar de pensar e imaginar sobre tudo. Por que na verdade, cada imagem que se forma na minha cabeça finda tornando-se nada mais do que invenção de uma mente criativa (até demais) que não se torna realidade. Mas eu continuo fazendo o que faço enquanto não te encontro: te espero. Meu quarto vira uma bagunça, minhas leituras se dispersam cada vez mais e minha atenção para qualquer outra coisa parece nula. Por que você não me vê, mas eu te vejo em todos os lugares, o tempo todo. E por um segundo esqueço das limitações que nos limitam, por um mísero segundo. Será que é isso a que estou destinada? Mediocridade? Recuso-me a aceitar. Parece que já faz tanto tempo que isso começou. E tanta coisa passou também. Eu passei, você passou, eu voltei, você e seu não-você voltaram também. Só nosso amor ficou. Ficou comigo, ficou com você, ficou com o mundo inteiro. Engraçado que todo esse clichê que esse amor criou em mim não desaparece de jeito algum, nem depois de todos os banhos que já tomei. Sei que não sou das pessoas mais fáceis e estáveis e amáveis para se conviver, e aposto que você merecia um Nobel da Paz apenas por me suportar durante todos esses dias. Às vezes é tudo culpa da minha fixação por reações, um contra ataque depois de uma ação exagerada da minha parte. Só estou querendo contrariar o Universo e essa idéia fixa dele por estragar todos os meus planos chacoalhando e me agarrando a qualquer possibilidade de mudança que aparecer em minha frente. Porém eu sei que não importa onde eu esteja, você vai lembrar de mim. E eu vou lembrar de você, até o fim. Daqui há 80 anos eu ainda vou saber seu nome completo e ainda querer que você segure a minha mão. E eu ainda vou estar contigo, mesmo que não possa me ver, cuidando de você como sempre fiz minha vida inteira. Às vezes a vida parece tão insegura, tão ultrajante num nível jamais antes alcançado em bilhões de anos de sua existência neste planeta. E então eu me sinto um nada, apenas mais um ser humano que ocupa espaço neste planeta de bilhões de corpos sem alma. Tudo se perde numa velocidade incrível e no final acaba sendo por pura e simples vergonha de ser quem se é. E como se fosse aquela última faísca antes que a fogueira se apague, a última pétala a murchar, nós nos completamos. Tudo o que falta em mim há de sobra dentro da sua cabeça, dos seus braços, dos seus olhos. E eu me dôo, pode vir e pegar a quantidade de mim que desejar. Sei que tudo isso vai valer a pena. Por mais que eu tenha que permanecer dentro do silêncio das nuvens que nos separam, vale a pena. Nunca houve um roteiro nos guiando por esta história, porém se há algo que posso escrever para torná-lo real é que você sempre terá a mim. Jamais sozinho neste universo, na sua rua, na sua casa. Se nenhum de nós desistir, os planetas vão se mover para promover nosso encontro em qualquer terra em que estivermos pisando. É tudo muito clichê, eu sei. Mas a vida é um eterno clichê, um filme barato que passa nas tardes de domingo como engodo para uma vida que não satisfaz. É exatamente assim que quero nosso encontro: um amontoado de frases ditas e reproduzida por dezenas de gerações que nos lembrarão como se não fôssemos nada mais do que duas pessoas que não podiam ficar juntos. O sentido disso tudo é que não há sentido algum e talvez se não fosse esta falta de sentido e coerência tudo não teria sido como foi até hoje. Talvez nosso tão esperado final feliz não venha nunca, no entanto eu nunca vou me arrepender de nada que tenha envolvido você. Manterei-nos vivos em todas as lembranças que minha mente armazenou, como num mundo paralelo onde tudo que o planejamos deu certo. E é nele que vai me perguntar por quanto tempo ficarei com você e eu direi, sem nada para me interromper: para sempre.

domingo, 30 de outubro de 2011

Everybody leaves.


Ninguém quer perder. Ninguém quer admitir uma ausência, nem mesmo por um segundo. É como quando somos crianças e nos machucamos pela primeira vez, descobrindo que não somos imortais. Que dói na gente também. A vida é só um monte de negações, interrompidas algumas vezes por explosões estelares de emoções tão passageiras quanto as luzes brilhantes no céu. Tudo o que se é e o que vai se criando durante todo o tempo terrestre some num piscar de olhos. E eu, que tudo o que fiz foi tentar te salvar, te prendi como se prende um animal selvagem na floresta. Você ficou preso neste mundo por uma corda remendada com meus chamados, que fez com que sua única função aqui fosse me seguir por estas ruas. É como se você representasse todas as pessoas que já partiram desta terra, todas que não queriam partir. Então eu te neguei e me neguei também. Neguei tudo que não fosse confortável, tudo o que doía. A dor, no final das contas, foi minha única companheira. A única que me ajudava a distinguir o que era real do imaginário. Quando você partiu foi como se todas as coisas ruins do passado voltassem para me sufocar, depois que a barreira que você havia feito entre elas e eu caiu. Você era a única coisa que me mantinha em pé, como ousou partir? Como ousou fechar os olhos para mim, logo para mim? Gritei tantas e tantas vezes para que você voltasse e olhasse novamente dentro de mim - só você conseguia isso - e fizesse tudo voltar ao que era antes. Não se aprende a dizer adeus. Não há aviso prévio. Não há ninguém lá para arrancar a dor de dentro de você. Mas eu ainda consigo sentir você aqui, segurando a minha mão. E isto é tudo o que se precisa: de alguém para segurar sua mão. Porque nada ficará bem. Não mais. E ninguém precisa saber que você está morrendo por dentro. Presentei-os com um belo sorriso e algum sarcasmo, será suficiente para deixarem-o em paz. Não há nenhuma reviravolta aos quarenta e cinco do segundo tempo, é só você consigo mesma tentando sobreviver com o que ainda restou. Minha fé continua forte apesar de abalada, e é por isso que depois de tudo e de todos os segundos, dias, meses e anos que você me presenteou com sua presença, eu estou deixando você ir embora. Não há nada mais a ser dito, nada mais a ser feito. Eu passei minha vida inteira com você, mas você não pôde passar sua vida inteira comigo. Eu, que sempre fui covarde, estou quebrando todas as regras apenas para te dizer adeus. Então, finalmente, adeus. 

Música do post: Life without you - Stanfour

domingo, 23 de outubro de 2011

Brilho eterno de uma mente sem lembranças.



As pessoas fotografam para guardar momentos, unificá-los num universo cada vez mais podre e efêmero. A única coisa que eu gostaria de possuir é pouca memória. Se eu não retesse todas essas sensações - ou não tivesse de reter nada, de preferência - não seria obrigada a lembrar de todas as merdas que vivi quando era criança, que de vez em quando aparecem como fantasmas para me assombrar. Se eu não tivesse boa memória, não precisaria recordar todas as vezes em que me magoou e fez com que eu me sentisse apenas mais uma por aí e aqui, já que adora zombar de tal coisa. Caso eu tivesse memória fraca, não precisaria lembrar todos os dias que meus planos nunca dão certo por que sempre há uma falha neles que eu não calculei com antecedência. É muito fácil vivenciar essa experiência através de outra pessoa, quando não é você quem sente e que tem que sair por aí com toda essa merda. Ainda parece bizarro para mim parar e pensar que o outro te faz sentir como se você fosse especial por um tempo quando na realidade você não passou de uma distração, um brinquedo velho encontrado no porão enquanto o video game estava com defeito. É a partir disso que você começa a caminhar pelo mundo sozinho, almoçar sozinho, passar os feriados de fim de ano sozinho. O pior de tudo isso? Saber que não importa com quantas pessoas esteja, essa sensação nunca vai te abandonar. Você pode até passar-lhe a perna por algum tempo, entretanto ela sempre encontra o caminho de casa. Minha idéia fixa pela memória escassa é apenas um apelo invisível para que apenas as coisas, pessoas e momentos bonitos permaneçam em minha mente. Não é muito, nunca é. E é por isso que invejo, principalmente, sua mente rala. As palavras que não cimentam, as aparências que não aparecem, as partes minhas que roubou sem dó nem piedade. Ladrão, ladrão, você roubou ele da gente, homem ladrão. Cubro minha mente de mentiras tentando fazer com que assim tudo entre em colapso e se apague de vez. Um blackout num sistema velho que não quer mais operar de tão desgastado. Apesar de tudo, a única coisa que levo comigo e que permanecerei lembrando até que a última luz do mundo se apague é você e tudo o que traz consigo. Não importa que isso não te importe. É natural e automático, como foi da primeira vez que te vi. E acho que até hoje você nunca me entendeu, nunca entendeu o que eu sempre quis dizer quando falei sobre mim. Não há cura para os meus estragos, assim como não há para mudar como nossas vidas foram feitas. Que Deus me ajude somente uma vez a entrar em estado de hibernação interna, visto que pensar demais têm me deteriorado mais do que qualquer outra coisa. Estarei apenas à espera do fim de todo esse brilho incessante, trazendo com ele a paz que eu nunca encontrei em mim.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Take care.

"o menino me ensina 
 como um velho sábio
 o quanto sou menina"
 Alice Ruiz


Você colou post-its pela minha casa inteira como se me obrigasse a não esquecer de algo. As coisas mais simples me parecem ser as que mais passam despercebidas. Seu costume de dizer que me ama constantemente se confronta com meu receio em usar estas palavras. E então digo "se cuida". Como se fosse uma forma de, mesmo distante, cuidar do que minhas mãos não alcançam. Por que você foi a melhor coisa que já me aconteceu nesta vida e nem se eu quisesse conseguiria esquecer de você. Aonde quer que eu vá, você vai comigo. Vou ao supermercado e lá está você, olhando as mesmas porcarias de sempre que vão te deixar diabético. Prendo o cabelo de um jeito diferente e você apoia o queixo em uma das mãos e sorri. O mesmo sorriso de menino, juntando-se à voz que diz para eu me cuidar. Parece tão simples. E talvez seja. Sempre disse pra tentar ser feliz mesmo longe de você, o que antes parecia apenas mais uma utopia. Os sentimentos passaram, passaram, passaram e o que eu sinto por você é a única coisa que permaneceu. Como cupim, que uma vez grudado à uma madeira qualquer parece que não vai perecer nunca. Entretanto, ao invés do cupim, eu pereço. Embora que esteja vivendo cada dia de cada vez, sem pressa, sem muitas expectativas, ainda me sinto cada vez mais menina quando não consigo ser como você. Você que não se importa. Você que não sente. Mas acho que te surpreendi. E me surpreendi também. Eu vou indo bem, cuidando de mim mesma. Pela primeira vez em muito tempo eu tenho a certeza de que posso organizar minha vida e que vou ficar bem de verdade. Não mais mentiras sobre mim com um sorriso falso, não mais inseguranças sobre nossa semente que um dia talvez vire um grande baobá.  É meio incômodo, mas acho que estou crescendo. E no fim, você tinha razão sobre eu superar qualquer coisa. A maior das ironias é você estar certo em muitas vezes quando quem sempre chegou mais perto de ser uma das irmãs Fox fui eu. Por que mesmo tendo todos os motivos do mundo para te ojerizar, eu te amo. Eu, que daqui continuo a te desejar todos os dias, continuo comprando meu café na lanchonete da faculdade e falando um monte de ironias que teriam mais graça se chegassem aos seus ouvidos. Mas como eu disse, eu vou indo bem. E nunca esqueço de você e seus post-its, de você e suas palavras. Queria poder guardar dentro de mim todas as coisas que me lembram da sua pessoa, no lugar mais seguro do mundo onde só eu posso chegar. Por enquanto eu te cuido de longe, te amo de longe, como o fantasma de alguém que não quer partir desta vida sem ouvir sua risada só mais uma vez. Fica com meu "se cuida" enquanto ainda não puder ficar comigo, inteira.

Música do post: Shiver - Coldplay

sábado, 1 de outubro de 2011

A certain romance.

"Eu prefiro ter a beijado uma vez, ter a abraçado uma vez, ter a tocado uma vez do que passar a eternidade sem isso."
Cidade dos Anjos


A interrupção que antes parecia ser ininterrupta mostrou-se mais cruel do que eu calculei. Não consigo compreender como uma coisa que ocupa um corpo tão pequeno quanto o meu pode doer tanto. Minha mente já não me pertence mais a muito tempo e cada parte de mim vem sofrendo com isso. No entanto, eu gosto de sofrer. Talvez gostar não seja a definição certa, talvez comodismo seja. Desde que cheguei a este mundo fui treinada como um soldado de guerrilha para aguentar as piores situações sem derramar nenhuma lágrima. Pelo menos não na frente de outros. É isso que tenho feito desde que te conheci. Esperar até que todos durmam para poder ir até o banheiro e chorar até soluçar, até desmaiar. E é em momentos como esse que desejo que você nunca tivesse se apaixonado por mim. Só você. Por que eu sei que aguentaria amar sozinha, sempre foi assim a vida inteira. Mas você não. Você se machuca. Em você dói. Nada me destruiria mais do que ver você no chão. E então me pego desejando que você seja muito muito muito feliz sem mim, logo em seguida recebendo em meu peito a tristeza de não ser mais lembrada nem quando tocar a música que só eu sei cantar. As luzes apagam-se e a última coisa que eu sempre vejo é o seu rosto, todas as partes lindas que decorei. O som da sua voz me chamando de idiota permanece como meu despertador todas as manhãs. E, como em poucas vezes que já concordei com algo que você disse, contemplo minha idiotice ao querer te defender de todas as dores do mundo, principalmente as que eu provocar. Se eu te amasse sozinha poderia ir aos poucos matando esse amor nem que fosse com vodka, mas plena de que não estaria machucando mais ninguém além de mim mesma. Mas não. Por algum motivo estranho e ainda inexplicável, você resolveu me amar. Resolveu me amar quando poderia ter tido qualquer outra garota que aguentasse especialmente seu grande ego ou apenas agregasse coisa parecida. Resolveu me amar mesmo depois de saber tudo sobre mim, mesmo depois de saber da minha partida, mesmo depois de saber o quão maluca eu sou. Troquei o posto de medo número um de anfíbios para o medo de que alguma coisa acontecesse com você, por isso não peço perdão pelo meu zelo exagerado e pelas escolhas que fiz para saber que estará sempre a salvo. Por que você é meu calcanhar de Aquiles. Seu rosto no escuro me prende, sua voz atravessando meus cabelos até meus ouvidos me fazem querer jogar tudo para o alto sem medo de que tudo caia em minha cabeça. Às vezes eu acordo querendo deixar esse amor na cama que arrumei, mas ele teima em ir comigo para todos os lados. Eu leio livros com esse amor, subo no ônibus com esse amor, rio de uma piada qualquer e esse amor me olha de um jeito lindo, efusivo por ver um sorriso desenhado na minha face. E então tudo parece ficar insignificante demais, até mesmo o desejo que você nunca tivesse se apaixonado por mim. Todo o medo do mundo vira pó perto do seu sorriso. Aguentarei bravamente na linha de frente enquanto houver esperança de vitória ou simplesmente de tempos de paz. E como você sabe, perder nunca é uma opção a se considerar para mim.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Lost.


Eu sou uma ilha. Sim, estou discordando de John Donne. Talvez se ele tivesse me conhecido nunca teria dito que nenhum homem é uma ilha. Por que eu sou. Não homem, mas ilha. Tão ilha que ainda nem fui descoberta. Permaneci minha existência inteira como se fosse a única que pudesse de algum jeito tentar me compreender, me encontrar mesmo quando eu me sentia tão perdida como se flutuasse no espaço sem fim das estrelas e não no mar. O mar, com sua ilusão de infinito, foi meu pai, foi minha companhia silenciosa das noites sem fim. As pessoas não tem paciência, nenhuma delas. As almas que por aí vagueiam olham tanto pra dentro de si mesmas que muitas vezes parecem decepcionadas quando encontram nada mais do que pó, do que restos de um eu que eles deveriam ter sido e não foram por medo das consequências. Nasci para ser ilha neste mundo como outras pessoas nasceram para ser pontes. Encaro ondas mais fortes, tsunamis, terremotos e magma como um arranha-céu tão preso ao chão que nem todas essas coisas juntas seriam capazes de me derrubar. Meu sorriso é a capa de proteção contra as atividades tempestivas que nenhum olho vê se propagar e me matar. Mas não se sinta mal por mim. Creio que só consegui fazer tudo o que já fiz até hoje por ser ilha, por ser apenas eu e minha conturbada mente cheia de poços escuros desenhando um mundo nas areias que precedem um fim próximo. Prezo por certa crença hermética de que eu ainda sou muito jovem para me sentir tão ilha. Mas sou ilha. Não queria ser, porém sou. Meus inimigos são apenas os teus quilômetros. Minha vontade de vos rasgar inteiros até que olhem para os resquícios do que se tornaram aumenta a cada dia desta solidão infindável. Solidão de quem não consegue ser feliz sozinho. Com Deus como minha testemunha, com você como meu objetivo e com meu cercado de terra que me protege, eu apenas juro jamais me afogar novamente. Estarei à espera de uma visita de uma civilização distante que possui somente um integrante, um líder, um gênio. Você e sua ponte. 

Música do post: Asleep - The Smiths

sábado, 17 de setembro de 2011

The one that got away.


Nada do que fiz ou deixei de fazer poderia ter te amarrado como um animal acuado ao pé da minha cama. Essas coisas primitivas nunca fizeram o meu tipo, você sempre soube disso. Lembrei de quando disse que tinha a certeza de que sempre que houvesse um vazio no mundo, seríamos nós a preenchê-lo com nossas piadas baratas. Só queria saber o que faço com esse vazio que tomou conta dos meus dias como um buraco negro sugando tudo por perto, por que eu não consigo preenchê-lo sozinha. Sei que te pareço muito piegas, sei que te pareço muito menina. Depois de todas as nossas conversas, sempre acreditei e você parecia acreditar também que seria eu a ir embora quando a hora tivesse chegado. E então você, como sempre, me surpreendeu. Deixou o anel que veio junto com o chiclete que compramos no nosso primeiro encontro em cima da mesa e se foi. Se foi. Foi enquanto eu olhava seu rosto pela última vez na noite anterior que eu finalmente o vi de verdade. Fui atingida por algum tipo de bola de beisebol e saí da escuridão do meu interior para vê-lo como merece. Vi seu rosto. O seu rosto. O rosto que sorria quando eu fazia alguma imitação chula. O rosto que chorava quando eu ameaçava partir, por mais que você fosse a única coisa que me prendia aqui. O rosto que eu nunca beijei completamente tanto quanto merecia e tanto quanto eu quis. Ainda é estranho pensar que você aos poucos vai se juntar a todos os outros que já passaram pela minha vida e agora não são nada mais do que fantasmas que aparecem de vez em quando para me assombrar. Levantei hoje da cama e repeti para mim mesma cem mil vezes que não gosto mais de você. Por que se eu não gostar mais de você, talvez você acabe voltando. E se você voltar, sei que vou te amar da mesma maneira da primeira vez. Meio confuso, não é? Bem vindo ao mundo que você saiu pela portas dos fundos como um fugitivo desesperado: o meu. Não importa, não importa. Serás para sempre o menino achava minhas mãos pequenas demais. O menino que eu amava e que amarei até o dia em que conseguir comportar as lembranças que você esqueceu de levar consigo quando foi embora. Tem uma mala cheia delas. Mas deixe estar, não a leve ainda não. Deixa eu fingir mais um pouco que você está aqui. Vou te inventar desenhado nas paredes de casa, vou pintar seus olhos bem em frente à minha cama para te ter me olhando dormir todos os dias. Só espero que você seja feliz, mesmo que sem mim. Mesmo que me doa. Mesmo que minhas palavras que tanto já te machucaram hoje não passem de nuvens de diálogos que flutuam à sua volta como numa história em quadrinhos. Vivo neste eterno pêndulo entre olhar o seu número no celular com os dizeres "Não atender" e a vontade de te buscar até no inferno se lá você estiver. No entanto, eu não vou te esperar. Não vou morrer. Eu vou viver sem o seu rosto. Eu vou viver sem o que eu queria viver pela eternidade. Há muitos elevadores levando-nos para diversos lugares nesta vida, fazendo com que tudo e todos que estão no mais alto dos andares possam também chegar ao chão num instante. Eu estou embarcando agora, ao infinito e além. Estenderei minha mão caso deseje aproveitar a vista de lá em cima, é tão bonita. E tem cheiro de você.

Música do post: Who Knew - Pink 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

2,583.


Durante muito tempo eu achei que escrever era uma forma rápida e sem intermediários de chegar até onde estavas. Por que querendo ou não, você foi a maioria dos vocês que eu entrelinhei nesta vida. Leio minhas palavras em voz alta para tentar tornar tudo mais real ou pelo menos para me convencer de que isso tudo vai valer a pena. Talvez se eu estivesse em outra fase da minha vida - uma a qual eu acho ter deixado para trás há uns bons anos - não me sentiria tão insegura desse jeito. Por que você sempre soube que eu era assim. Sempre me chamou assim. As coisas evoluem, as pessoas crescem - você cresce - e eu continuo aqui agarrada com minha insegurança como se ela fosse a tábua de salvação no meio do oceano. Eu, com minha insegurança, e você, com seu silêncio. Com a merda do seu silêncio. Silêncio seu. Esquecimento seu. Lembrança nenhuma sua. Uma vez você me disse que eu sempre repetia as mesmas palavras de modos diferentes e aqui estou eu repetindo novamente nem sei bem porquê. Acho que escrever sobre você corta ou diminui ou desemenda todos os muros que nos separam. Não que isso lhe convenha mais do que o que me diz. Os meses se passam e sua vontade de dar sinal de vida passa mais rápida ainda. Mas eu continuo te amando. Mais do que pensei que pudesse amar alguém um dia. Amo e nunca esqueço. Amo e conto os dias. Amo e tento não perder o posto de maior produtora de sorrisos seus. Só te amo. E te escrevo. E almejo algum dia ter lugar na sua vida. E espero comer seu arroz queimado enquanto rio da sua pronúncia inglesa ruim, usando uma de suas camisas. Parece tão simples, não é? No entanto, não se esqueça que estamos falando de mim. Da pessoa que pode ser considerada a mais azarada do mundo. A pessoa mais cheia de problemas e defeitos do mundo. A última pessoa do mundo por quem você deveria ter se apaixonado. Porém quando se trata de babaquice, somos imbatíveis. Tanto quanto o efeito das suas palavras sobre mim, uma eterna pobre criança desamparada com uma coleção de cicatrizes que faria qualquer presidiário morrer de inveja pelo status. Você mal sabe, mas o inferno é logo ali. Bem perto da porta pela qual eu sairei em direção ao menor resquício da tua sombra. 


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Hello, Stranger.

"Às vezes estamos numa rota de colisão e sequer desconfiamos, sem querer, ou de propósito, não há nada que possamos fazer."
O Curioso Caso de Benjamin Button



Temo ter conseguido chegar ao ponto máximo da estrada e agora não sei como encarar a linha de chegada. Você que me espera com um buquê de margaridas nas mãos não imagina o quanto que eu tenho medo. Eu tenho medo do seu medo e medo do que o meu medo possa fazer quanto eu te vir. Eu sou uma tola, eu sei disso. Mas não quero deixar de ter medo, embora que eu nem ao menos consiga evitar isso. Por que sempre foi meu medo que me defendeu de todas as possíveis rachaduras que meu coração pudesse ter. Assim como meu medo me levou até você. Meu medo e sua fé inabalável na minha pessoa, uma Houdini nem tão talentosa quanto o original. Parto até meu ponto de chegada com meu cajado e armadura nas mãos, prontas para resistir a qualquer atividade tempestiva que possa me acertar. Minha voz, meu jeito torto de andar, meu excesso de léxico que te fere. Sua voz, seu jeito de falar rápido ao telefone, sua distração que bate qualquer recorde mundial. Tratarei de fechar os olhos toda vez que sua risada se aproximar dos meus ouvidos para guardá-la pelo resto da eternidade. Manterei dentro de mim, durante todos os anos que nos aguardam, os cortes que seus olhos fazem quando se põe sobre mim me deixando praticamente vulnerável. Nunca lidei tão bem quanto você com nosso não-ainda-nós, porém tenho uma fé tão grande que nem mesmo seus cálculos rápidos seriam capazes de delimitar. E então, quando não sei mais o que falar e preciso fazer tudo doer para te alcançar, contemplo o fato de que acima de todos os outros, você é o maior dos meus planos. Ver no seu futuro minha ausência ou simplesmente te assistir se tornar a coisa mais linda que meus olhos já viram talvez nunca seja o suficiente. Por que só Deus sabe o quanto me sinto fraca toda vez que passo a mão sobre a cama e você não está lá, como se só a força do meu pensamento fosse te arrancar desse teu lugar tão distante e te trazer pra cá. Meu bote salva-vidas são as lembranças que ainda não construímos, as maiores causadoras das minhas noites insones. Mas eu faria tudo outra vez. Suportaria esse mundo nojento todos os dias por que no final eu teria você, só eu e você, só nós, à sós. Gritei um foda-se para o mundo e suas regras de bom costume e conveniência, gritei por que do meu lado estava você segurando minha mão pequena. Agarrei sem titubear as oportunidades que me levariam até você e aqui estou. Não demore muito a vir me buscar, embora que a eternidade esteja aos meus pés. As vozes distintas que atravessam minha cabeça neste lugar se calarão quando a sua chegar.

Música do post: Walk - Foo Fighters 

domingo, 4 de setembro de 2011

Boa noite, Joaquim.


Um dos meus maiores e melhores hobbys foi sempre esperar você fechar os olhos primeiro e te olhar dormir. Não que estivéssemos a muito tempo juntos - sete ou oito meses, apenas - no entanto eu sabia que não me cansaria daquilo nunca. Ia e dormia com você todas as noites, mas sempre ia embora ao amanhecer. Algo não me permitia ficar - você dizia que eu era do mundo, por isso partia, sempre dizendo ao pé do seu ouvido que muitas vezes não captava minha voz: boa noite, Joaquim. Não importava se ele ouvia ou não, o simples fato de eu dizer isto deixava uma parte minha com ele. Era provável que minha mania de sempre estar o deixando fosse uma súplica silenciosa para que ele dissesse algo que me fizesse ficar. Mas ele nunca disse nada. As palavras que ele me dizia muitas vezes soavam como mensagens programadas que não possuem sentimento algum, ou eu apenas era desacreditada demais. Sentir o cheiro dele, poder abraçá-lo e acima de tudo, poder ver seus olhos se fecharem todas as noites enquanto eu era a última coisa que ele via bastava para meu eu desajustado e destemperado. Podíamos, desde sempre, conversar sobre tudo o que existe no mundo e até mesmo denominar coisas que ainda não existem, mas você sempre soube e eu sempre soube que nunca seríamos um nós. Nada impedia minhas palavras de te tocarem mais do que meus boas-noites cheirando seu cabelo, nada impedia que um dia você decidisse fechar a porta e não me deixar mais entrar na sua casa tanto quanto nada me impedia de não voltar e sumir sem deixar rastros. Você sabe que sou boa nisso. Você sabe que eu sobreviveria, como já sobrevivi a coisas muito piores. Você sabe quem eu sou mais do que qualquer outra pessoa no mundo. Nossas linhas paralelas se cruzaram num momento que talvez não tenha sido o propício, porém creio que tenha sido o certo. É como se todo o infinito pelo qual eu esperava minha existência inteira tivesse se reduzido a um só encontro marcado. Você, que agora aí de tão longe não me vê nem ouve mais meus boas-noites, provavelmente continua dando um sorriso antes de entrar em sono profundo tal como fazia quando eu estava ao seu lado. Talvez essa seja a prova de que o que aconteceu entre nós não foi em vão, e pelo menos para mim não foi. Minha esfinge continua esperando sua resposta certa e meus braços ainda te procuram pela madrugada. Não posso mais te tocar e com isso não posso mais te machucar. Nossa parceria eterna é assombrar um ao outro até que nossas linhas paralelas se cruzem no infinito novamente.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

New dawn, new day, new life. And I’m feeling good.

Em quase dois anos desse blog e depois de conhecer muita, mas muita gente legal através dele (vide meus melhores amigos atualmente, a Pati e o Delmas, black bitches) raramente falei abertamente sobre minha vida pessoal aqui. Tanto que nunca citei nenhum nome real em nenhum texto que fiz. Alguns de vocês que me acompanham há muito tempo principalmente no Twitter sabem que passei para Jornalismo na Federal do meu estado. Esse texto deveria ter saído na semana que entrei na faculdade, mas como fiquei sem internet não foi possível. Agosto como sempre não foi um mês muito bom, vide até que o mês passado ficou sem texto algum. Enfim, here I go.


Te dizem muitas coisas quando você vai para a faculdade. Alguns dizem que é para você tomar cuidado com as amizades que escolhe, que você deve focar em seus estudos e outros dizem para você aproveitar todos esses quatro ou cinco anos como se fossem os últimos, pois serão os melhores de suas vidas. Para mim, faculdade significa possibilidade. Você pode ser quem você quiser. Não importa com quem você ande ou o que falem de você, há um leque de perspectivas para se escolher. Ano passado, eu estava com muito medo de querer qualquer coisa e hoje eu não consigo parar de querer tudo. Posso dizer que tive certa sorte de ter encontrado logo no começo as pessoas que quero levar até meus últimos dias na faculdade, mas também quero estar aberta a conhecer muita, muita gente. Pois nada se compara a isto. Creio que todos que ali estão ou pelo menos grande parte deles quer ser grande. Não só uma grandeza reconhecida, mas também pessoal. Quer ser alguém de que as pessoas se orgulhem em lembrar e querem dar o seu melhor para que isso aconteça. Eu sinto como se eu quisesse fotografar cada pedaço, cada canto da minha faculdade para não esquecer, para não perder nenhum momento. E desejo que todo mundo possa vivenciar isso um dia. Todos os planos que eu já possuía até semana passada, antes de me tornar uma universitária, se expandiram cada vez mais quando entrei lá. Eu quero ser sempre a melhor no que faço sem necessitar passar por cima de ninguém. Eu quero mudar vidas, nem que seja somente de uma só pessoa. Eu quero poder contribuir para que todos à minha volta estejam felizes consigo mesmos e comigo também. Eu quero poder ajudar as pessoas que mais precisam, não só de comida e água potável, mas também de um abraço ou um gesto de carinho. Quero sempre estar escrevendo e quero sempre morrer de rir com meus amigos não só da faculdade, mas também com os que estão comigo há tanto tempo e continuam sendo uma das melhores partes da minha vida. Quero que minha família se orgulhe do que eu faça e que me apóiem nas decisões que eu tomar. A maioria das pessoas que convivem comigo sabem que não quero permanecer aqui por muito tempo, no entanto nunca me desencorajaram a querer menos. Sei que o mundo é muito grande e há diversos obstáculos a serem vencidos por aí. E eu quero superar todos eles. Quero conhecer todos os lugares da minha listworld e absorver tudo o que esses lugares puderem me oferecer, inclusive na minha futura profissão. Quando a gente sai da escola para enfrentar algo totalmente novo como a faculdade, algo dentro de nós muda. A sensação de querer aproveitar tudo o que eu puder permanece em mim, e torço para que não suma nos próximos anos que viverei lá dentro. O desconhecido gera muito medo, porém as coisas se ajeitam como devem ser. Trabalhe duro, interaja muito e divirta-se o quanto puder. Faculdade pode ser um monte de coisas diferentes para cada pessoa, mas é universal que ela é uma chance de você ser mais do que jamais sonhou. E eu mal posso esperar por isto.

Música do post: Porto Alegre - Fresno

terça-feira, 26 de julho de 2011

Waterproof.


Baunilha.

Só Deus sabia o quanto aquele apartamento de numa rua qualquer no subúrbio cheirava infernalmente a baunilha. Cada pedaço, cada buraco, cada cômodo daquele lugar cheirava à baunilha, à ele e isso fizera com que Maria tivesse passado a detestar viver naquele lugar como um albino detesta raios solares. Era um dia deprimente - completamente nublado e uma fumaça insuportável vindo dos carros da Avenida lá embaixo - e parecia se arrastar como uma lesma. Maria fechou os olhos e foi como se toda a noite anterior voltasse a ser exibida em sua mente, numa sessão de cinema noir que ninguém paga poucos centavos para ver. A não ser ela, que era uma das protagonistas.

De tudo, o que sua memória não poderia nunca apagar eram as frases que a estilhaçaram como se tivesse sido alvo de uma bomba. Nunca pensara antes que algumas simples palavras pudessem mudar tudo o que ela sabia sobre si mesma ou pensava saber. Ele também nunca foi uma pessoa aberta e talvez fosse por isso que se davam tão bem. Seus casulos longe do mundo se fundiam em um só e tudo estava em seus devidos lugares no Universo. Ela sentia como se, depois de todos aqueles anos não só de união amorosa mas também de amizade, ele tivesse esperado esse tempo todo para jogar-lhe isso na cara. Se ela aprendeu alguma coisa em sua não tão longa vida, foi nunca se auto proibir. Sempre disse o que quis na hora que quis e, como poucos fazem, ouviu o que não quis com toda a dignidade de aceitar opiniões alheias que sempre possuiu. "Você é tão fria, Maria. Tem um pedaço de um iceberg dentro do peito. Você nunca deixou ninguém entrar na sua fortaleza, por mais que eu tenha tentado milhares e milhares de vezes." Não sei se a reação que ela esperava ter era colocá-lo porta afora ou atingi-lo com o objeto mais próximo, porém tudo o que fizeram foram se olhar por longas e infinitas horas. A luz solar já invadia o quarto através das persianas e finalmente ele se levantou e foi embora. Simplesmente, sem dizer mais nenhuma palavra, foi embora. 

A impressão que teve ao descer do apartamento foi que estava entrando em pleno processo de denial. Tudo à sua volta parecia barulhento demais, sujo demais, irritante demais. Era como se todas aquelas pessoas estivessem numa realidade diferente da de Maria, uma realidade muito melhor e mais bonita. E ela estava completamente sozinha. Sozinha naquela calçada, naquele bairro, no mundo inteiro. Sentia vontade, pela primeira vez em muito, muito tempo de chorar até que a água que havia em seu organismo se acabasse e pusesse fim àquele sentimento que ela não sabia controlar. A coisa que sempre mais detestou foi não saber com o que estava lidando. Desde sempre fora a Rainha de Copas, a que mantinha tudo em seus lugares perfeitos, a que nunca demonstrava fraqueza para outrem. Ele estar ao seu lado era tão normal quanto ainda estar respirando, quanto ainda ter pelo o quê levantar da cama todos os malfadados dias de sua vida. Maria era como uma esponja que absorvia tudo o que diziam ou faziam ao seu redor e quando ele simplesmente esquecia rápido demais como havia lhe machucado, ela tinha que fingir que tinha esquecido também. Mas ainda ficava lá, com todas as outras mágoas num canto bem profundo de sua memória.

Um carro bateu de uma hora para a outra em outro veículo e isso pareceu enlouquecer todos daquele trânsito infernal. O carro que recebeu a batida colidira com um hidrante e estava jorrando água para todos os lados. E então, para espanto de todos e grande quantidade de represálias, Maria começou a rir. Riu de todas aquelas pessoas medíocres tendo suas vidas atrapalhadas por um simples hidrante e por elas estarem todas molhadas com a bendita água que saía daquele empecilho. Riu também por que lembrara do que ele disse sobre ela ser intransponível, impermeável. Não importava mais. A água daquele hidrante molhava seus cabelos, sua pele, suas roupas e borrava sua maquiagem sobre uma noite mal dormida. E entravam nela, como se aquela água estivesse limpando-a por dentro também, como se estivesse tirando toda aquela dor de suas entranhas, como se pudesse levá-lo para um lugar tão longe de lá que nem ela mesmo sabia onde ficava. Maria é uma dessas pessoas que muitos pensam compreender, mas poucos chegam perto disso. Ela sabia muito bem o que devia fazer ou sentir o tempo inteiro, a vida inteira. E optou pelo admirável mundo só seu, embora que ele fosse parte tão grande dela que Maria mal sabia o que esperar dos próximos dias. No entanto, não estava morta. Daria muitos motivos para todos eles pensarem porquê ela ainda estava sorrindo.

Música do post: Black Balloon - The Kills

sexta-feira, 22 de julho de 2011

The silence of the stars.


Paira um silêncio sobre a vida que eu sempre quis ter. Não sei muito bem se foi o que sonhei desde que cheguei a este mundo, mas muito me agrada tal destino agora. Consigo me sentar e só acompanhar o ritmo da música que toca sem me preocupar com o que querem que eu seja ou com quem devo me relacionar. Não diria que estou feliz, mas estou em paz e acho que isso é o bastante por enquanto. Há uns meses atrás eu fiz umas escolhas que a princípio me machucaram bastante. No entanto, agora eu estou conseguindo lidar melhor com elas. Pois um belo dia eu acordei e me sentia vazia. Um vazio bom, daqueles que você tem depois de fazer uma faxina para jogar coisas velhas fora e dar lugar a coisas novas. Acho que cresci, e quando a gente cresce tudo fica um pouco mais chato. Não consigo mais achar graça em coisas que até alguns anos atrás eu era a principal usuária. E na verdade, creio que isso fez de mim uma pessoa mais dura, mais fria. Me sinto desaprendendo a demonstrar afeto, a sorrir de verdade para as pessoas. Se crescer é isto, eu quero regredir até ser criança novamente. 

Nenhum pensamento que eu possa ter pode te afetar, por mais que eu tenha desejado isso um monte de vezes. E chego a duvidar se algum dia todas as minhas palavras ferozes que você tanto diz que fizeram estragos te feriram realmente. Por que tudo que eu ouço entre nós é o silêncio. Você não me diz nada, eu não te digo nada. Continuamos assim, presos a um monte de linhas que se estendem e estendem e acabam não deixando nada claro. Centenas vezes me perguntei se eu, que sempre fui acostumada a sons acima de 110 decibéis, duraria muito tempo neste monge budista que ainda me encontro. Ficamos calados e apenas existimos o que eventualmente me prende numa armadilha para capturar animais selvagens, logo eu que sempre foi quase um arauto da liberdade. Minha partida sempre doeu menos em você do que a sua em mim, assim como todas as quantidades que podem ser metidas nessa relação sem relação. De tudo, o que sempre nos separou mais foi que enquanto eu passava a mão sobre o globo terrestre e via o mundo, você só via sua rua. 

As coisas vão se encaixando por aí. Não vou me contentar com metade do que desejo ser e nem serei menos do que planejei. Sei que posso me arrepender de muitas coisas que vou ter que passar por cima por causa do caminho que escolhi seguir, mas estou disposta a arriscar. Nenhuma fantasia minha se compara ao que é real e talvez o modo como todas as coisas que imagino não acontecem do exato jeito que desejo seja o que valha realmente a pena viver. Prefiro mil vezes ter do que me arrepender do que nunca ter tentado. Vou guardar todos os nossos planos num lugar inesquecível, tão imortal quanto os personagens que inventei. Todas as noites, todos as mensagens não enviadas, todos os eu te amo e os boa sorte que trocamos sempre serão meu maior prêmio já recebido. Você e todo esse silêncio trincaram as paredes da minha mente barulhenta.

Música do post: Fireworks - You Me At Six

terça-feira, 19 de julho de 2011

Remando contra a maré.

"É mais fácil ficar sozinho. Porque, e se você descobrir que precisa de amor e depois você não o tem? E se você gostar? E depender dele? E se você modelar a sua vida em torno dele? E então ele acaba. Você consegue sobreviver a essa dor? Perder um amor é como perder um órgão. É como morrer. A única diferença é que a morte termina. Isso... pode continuar para sempre. "
Grey's Anatomy, episódio 22, sétima temporada.


A primeira coisa que se aprende sobre cometer erros é que você só deve fazê-los uma única vez. Eles estão aí para que você cresça, aprenda e se torne alguém melhor através deles e muito mais: evolua como pessoa. O problema com erros é que quando cometemos o primeiro sentimos que passamos a viver num eterno ciclo em que as falhas se repetem várias e várias vezes. Você tenta fugir, pegar o caminho contrário, seguir a outra seta de indicação, no entanto parece que tudo leva ao erro novamente. Principalmente você. Não que você seja um erro, mas a forma como as coisas acontecem pra mim é um erro. E infelizmente você faz parte disso. Como você ainda consegue ter fé nessa história? Me diz, por favor, pra que eu consiga ser um pouco mais crente também. Temos tudo para dar errado, mas eu ainda gosto de te querer todos os dias bem pertinho. Talvez seja por que essa é a primeira vez que sinto que vou amar alguém pelo resto da minha vida, de todos os jeitos que alguém pode imaginar. Vou te amar como amigo, como fã número 1, como futuro marido, como um cretino que você é, como a eterna única pessoa que já fez planos comigo. Vou lembrar das memórias que você esqueceu e tentar permanecer viva nelas. Vou continuar remando contra a maré enquanto eu puder segurar os remos com minhas mãos que você acha tão pequenas, mas que são grandes o suficiente para ainda lutar por nós dois. Porque apesar de não ter mais idade pra isso e ter vivenciado um bocado de experiências ruins minhas e dos que estão à minha volta, eu ainda acredito na gente. Uma crença que faz meu mundo estremecer e me questionar aonde eu quero chegar com tudo isso. Talvez eu esteja me preocupando prematuramente e que você e suas palavras babacas e difíceis estejam sempre flutuando num universo paralelo por aí, onde ninguém além de nós pode chegar. Pego um pouco da sua distração constante e misturo com minha paranóia que tanto te cansa e que me cansa e que quase nos deixa loucos e alterno entre as vezes que entramos em hiatus por tempo indeterminado e as vezes em que a vontade de estar junto de ti é tão grande que penso ser capaz de romper todas essas quatro ou cinco paredes que nos separam. Se me perco, é esperando que você me encontre num desses sonhos bizarros que tenho onde tudo o que mais procuro é seu rosto. Talvez você nunca entenda o que eu quero dizer por mais inteligente que seja por que provavelmente está numa fase diferente da minha, porém espero que ao ler tudo que já te escrevi daqui há uns anos, sinta todas as minhas palavras te bombardearem como os japoneses fizeram a Pearl Harbor. A água fora desse barco parece fria e você sabe que não sei nadar. Só sigo este curso com a esperança de que eu não caia numa cachoeira logo à frente. 

Música do post: Map Of Your Head - Muse

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Felicidade alheia.

"Amar é encontrar a própria felicidade na felicidade alheia." 
Wilhelm Leibniz


Há uma frase que diz: "Todo mundo quer ver você bem, mas nunca melhor do que eles". Felicidade alheia é algo com o que nem todo mundo aprende a lidar. A maioria é obrigado a isso, francamente. Grande parte das vezes, não importa o quão triste você esteja ou o quanto te machuque o contentamento de quem você ama, um simples "estou feliz por você" é o que faz um dia melhor. E nunca vou em arrepender de ter feito um amigo feliz com um abraço animado depois de uma conquista dele, mesmo estando em pedaços pequenos por dentro. Pois se você ama, você quer ver a pessoa feliz. Mesmo que você não seja parte dessa felicidade. Essa merda toda que eu tenho de sempre colocar os outros acima de mim e fazer de tudo para que eles estejam perfeitos e serelepes por aí está me fodendo a cada dia mais. É provável que seja por causa disso que eu nunca tive nada meu. Tudo sempre foi emprestado, remanescente, irreal. Mas na verdade, lá no fundo, eu sei que não é culpa de ninguém. Um pouco minha, sendo sincera. A questão é que sempre me doeu tanto ver os outros infelizes que eu quis pegar essa infelicidade para mim e guardar ela bem aqui dentro, junto com os outros sentimentos que eu finjo não ter por que talvez seja melhor assim. Eu tenho tão poucos amigos, tão poucas histórias boas, tão poucos momentos bons que se às vezes canso as pessoas com meus gostos chatos e meu jeito rude não tenho nem o direito de culpá-las. Eu vinha sempre me bastando, me suportando, me gostando até que chegou o ponto que eu me vi completamente sozinha. Sozinha, ouvindo pessoas que gosto falarem sobre pessoas e coisas que detesto e tendo que sorrir nas fotos que nunca quis tirar. A cada flash é uma memória nova que espero que seja apagada da minha mente, na fiel esperança de que um dia eu vire nada mais do que um quadro branco. Aí sim, talvez nesse dia eu possa reescrever tudo novamente e não ter que fingir felicidade pelos meus lindos e convencionais amigos. Talvez nesse dia eu possa enxergar você, tão feliz no seu mundo cada vez mais distante do meu e perceber que tudo o que mais quero é sua felicidade, que a cada vez que vir alguém perto de você eu possa pensar no como essa pessoa pode te fazer feliz, tão feliz quanto eu gostaria de ter feito um dia. Não preciso mais simular nada sobre mim ou sobre o que aprecio para ser aceita e estou começando a aprender a me colocar em primeiro plano. A idade que eu possuo não define mais o que eu tenho que ser ou como eu devo me comportar. Consigo me sentir feliz pelos ganhos dos poucos que amo e espero sempre o melhor para eles. É isso que todos deveriam almejar. No fim, é tudo uma questão ponto de vista. Você é que escolhe quem deve ser. 

Música do post: Unloveable - The Smiths

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Paper floor.


Há uma porção enorme de pessoas que detestam passar muito tempo em banheiros por eles serem úmidos ou por alguns deles serem fedidos. Meu banheiro sabe mais sobre mim do que qualquer ser vivo. Tranco a porta e passo horas sentada escutando e olhando o nada, buscando uma paz que muitas vezes eu não encontro com você. Conto para as paredes confiáveis do meu banheiro o quanto eu nunca esqueço de amar você, mesmo ficando bastante cansada disso muitas vezes. Sento no chão gelado e conto mentalmente para o box que quando me sinto deixada de lado por você, penso num momento bem bonito nosso, daqueles que tem uma cor bem clarinha em volta só pra harmonizar tudo dentro de mim. Vejo minha cara no espelho sobre a pia e enxergo olhos de quem gostaria de pensar menos em coisas sobre você por que talvez assim as reações que meu corpo tem fossem menores. Molho meus pés sob a água do chuveiro e imagino toda a mágoa que você me causa achando que tudo sobre mim é bobagem indo embora ao descer pelo ralo. Minha ações muitas vezes não foram suficientes pra te fazer compreender que tudo sobre o que eu escrevia sempre tinha um pouco de você, embora que tenha se recusado a aceitar ou não notou mesmo por uma promessa falha minha. Talvez essa não tenha funcionado, mas estou querendo muito querer conseguir todas as outras. Por que não importa quantas vezes eu tenha deixado a água correr sobre o nada para que ninguém escutasse meu choro, nem mesmo aquelas vezes em que senti que você estava um passo a mais de se esquecer de mim. A perspectiva de estar ao seu lado vai ser meu guia, meu motivo por ainda estar caminhando por aí. Sinto que tudo isso que chamamos de nós um dia pode ser verdade, embora que os caminhos estejam querendo rumar para o outro lado. Tenho medo dos nossos planos por que só realizei tão poucas coisas nessa vida e não quero que vá parar num lugar ermo onde os fracassos residem. Entretanto, confio em você. Na esperança de que um dia eu possa trocar o chão frio do meu banheiro por um lugar quente ao seu lado.

Música do post: First Love - Adele

sábado, 9 de julho de 2011

As desculpas que você nunca entendeu.

"Como se estivesses deixando tudo acontecer mais no plano abstrato, porque o real-palpável não está te dando satisfações."
Caio Fernando Abreu


Por meio desta, digo-lhe: você é um idiota. Não por fazer coisas inadequadas nem por todas as vezes em que me largou sozinha no sofá da minha casa. Não por ter se recusado a ficar do meu lado quando mais precisei, por mais que você achasse bobagem. No começo eu me questionava se sua idiotice era o que me fazia te amar ou se era algo que me distanciava cada vez mais de você. Afastei essas coisas da minha mente contemplando o fato de que sempre me convenci de que não queria perfeição e que nem todas as pessoas são tão observadoras quanto eu. Ouço sua voz dizer que me conhece tanto, como a palma da sua mão, no entanto eu vesti minha fantasia de animadora da humanidade tantas vezes para você que nem sequer notou. Amar um idiota fez um monte de coisas comigo, coisas que sempre ojerizei em dezenas de pessoas. Perdi as contas de quantas vezes ensaiei umas frases de efeito tolas na frente do espelho por que talvez assim você acharia que eu poderia ser uma garota romântica. Por que nem quando você caminhava ao meu lado e segurava minha mão, me dando logo em seguida um olhar meio terno, meio convidativo, meio sem noção você conseguia acreditar que eu seria uma dessas bobocas apaixonadas. Usei todas as minhas armas, todas as minhas estratégias de guerra para te falar um bocado de coisas que você nunca quis escutar, mais por estar prestando atenção a um filme, uma música cafona ou a um jogo de futebol. Guardei rascunhos, notas de geladeira e dezenas de cadernos com tudo que sempre achei piegas demais pra você saber, coisas que eu sentia falsas demais ao me ouvir dizendo. Todo dia eu vou para a cama com um desejo enorme de que o que eu sinto por você seja eterno, por mais que esse amor às vezes me confunda e me faça abrir portas erradas. Essa sou eu pulando de um precipício com o peso de tudo que ficou preso na minha garganta, esperando que  ao chegar no fundo do rio essas palavras tão bonitas que você não ouviu me façam boiar. Nenhuma desculpa que te pedi foi em vão, pois sei que sacudi sua vida como um terremoto no Japão com todas as minhas inseguranças e cicatrizes de alguém que já sofreu muito nesse mundo. Vem, senta aqui e deixa eu segurar tua mão só por um minuto, nem precisa dizer nada. Apesar de todas as minhas palavras que nunca te tocaram, meu carinho e vontade de te ter sempre por perto não diminuíram. Sua idiotice não destrói nem uma pequena parte de tudo o que você mudou para melhor na minha vida. Por que você me faz querer ser alguém melhor e superar tudo o que passou e o que ainda está por vir.  Te incluo mesmo que sem perceber nos meus planos, nas minhas risadas quando olho para o lado e vejo seu sorriso largo de menino, em tudo o que almejo conseguir ser na vida. Você pode ser o maior idiota da Terra ou talvez seja só menos complicado do que eu que sempre fui uma tempestade enquanto você era uma simples e fina chuvinha. E enquanto eu continuar existindo, continuarei buscando momentos inefáveis ao seu lado. Aqueles em que eu e você não precisamos dizer nada para sermos únicos e que te amar seja tão simples quanto rir quando você monta sua pose austera. A estrela mais distante que vejo irá guiar nossos caminhos em direção ao que desconhecemos.

Postagem de número 300.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Take me out tonight.


Dizem por aí que se você passar por debaixo de uma escada, terá má sorte por um longo tempo. Sempre quis saber qual era a relação que isso podia haver com azar, de modo que nunca acreditei nessas crendices populares. Por que foi passando debaixo de uma escada que eu vi você pela primeira vez. Foi querendo me afastar de tudo que remetesse amor que você apareceu e pôs fim a toda essa bobagem. Lembro de te sentir meio nervoso na primeira vez que nos falamos, o que meses depois confirmei quando você foi conhecer um dos meus melhores amigos. Mal segurei o riso pra te dizer que ia ficar tudo bem, que ser você já bastava para que todos te gostassem. Porque eu gostava. Mais do que isso, eu te amava. E todo mundo podia ver isso. O carteiro, as pessoas da rua, meu cachorro e até as paredes do meu quarto sabiam o quanto eu te amava e ainda te amo, por só Deus sabe lá quanto tempo. Tenho uma teoria de que algum tipo de radiação emana dos nossos corpos e parece escrever em nossa cara e em nossa alma que temos que nos tornar perfeitos idiotas quando nos apaixonamos. Você mal sabe quantas vezes me achei idiota por estar te esperando quando sabia que você não viria, por te dizer que estava tudo bem quando realmente não estava. Eu só queria que você visse a parte linda de mim que eu pintava e bordava todos os dias, uma playmobil que está sempre sorrindo e contando piadas baratas por aí para ver todo mundo rindo. E mesmo quando eu me sentia deslocada, deixada de lado e persona não participante dos assuntos reais da sua vida, eu continuava com um belo sorriso no rosto ouvindo There is a light that never goes out. Não estou te julgando ou até mesmo culpando, pois todo o amor que atravessa todas as paredes desta casa e cobre tudo que se pode e o que não se pode ver não permitiria tal coisa. Não sei quantas vezes eu me perguntava até que ponto tudo o que eu estava vivendo era permitido, embora que não fosse nada sujo, nada ilegal. Era tudo muito sereno, muito claro. Eu tinha um sério medo de dizer o que eu sentia por ti e cinco minutos depois morria de medo que algo acontecesse comigo ou com você sem que soubesse que eu poderia matar e morrer por vossa senhoria a qualquer momento, que eu te amava. Me amarro a essas palavras que se perdem na boca de quem não as merecem por que é a única coisa que tenho a te oferecer. Só espero que não me esqueça, que não me apague das lembranças. Que eu não vire um passado difícil de lembrar na sua memória fraca.

Música do post: Don't You Remember - Adele