quinta-feira, 3 de novembro de 2016

The Depression Diaries, nº 57 - Um breve olhar na minha existência

Aqui vai um poema sobre o que andou e anda acontecendo na minha vida:

eu não tenho mais ninguém pra conversar
nem praticamente amigos
meu pai morreu e eu não derramei 1 lágrima
eu continuo sendo um fardo pros outros
não tenho o mínimo conceito de pessoalidade
a maior parte do tempo eu nem sei onde eu tô
eu odeio mudanças
e vou fazer uma mudança
literalmente
minha casa não vai ser mais minha casa
e vou ter outra casa que vai ser minha casa
e eu só penso o tempo inteiro que eu preciso morrer
então eu assisto seriados e filmes pra me distrair desse pensamento
e não muito mais do que isso
eu tenho 23 anos e ano que vem vou ter 24 e depois 25 e em seguida 26
mas não vou ter tido vida nenhuma
eu estou em estado vegetativo e quase ninguém percebe
ninguém luta por mim o suficiente
ninguém vai além de um esforço pequeno
acho que eu acabei ficando assustadora demais
então eu que me foda
enquanto isso só gasto tempo com coisa inútel
como eu
que continua se fodendo pelos outros, pelos meus transtornos,
pelas coisas que assisto, por mim mesma por não saber
quem eu sou
o que eu estou fazendo aqui
do que eu gosto e não gosto
tal como nascer de novo
talvez eu gostaria
mas é só um tiro no escuro
e eu não me importo o suficiente pra tentar.

Um comentário:

  1. "Esse corpo está doente. A vida o fez totalmente doente. Totalmente. Aqui eu subo, aqui atuo. Percebo tudo como numa tela de cinema. Minha respiração, meu tempo, os olhos ficando diferentes, vendo diferente...
    O mundo está vazio, deserto, não adianta esperar por ninguém. Você está só, completamente só. E ai, o que você vai fazer?
    Eu vou me degradar e escorrer por esse ralo. Estou entrando nele.
    Que bom.
    Foram essas as palavras que o cachorro azul de pelúcia lhe dissera, e o fez com os olhos fechados.
    Quando se quer alguma coisa, é preciso estar com os olhos fechados.
    Olhos fechados não toca música, só chacoalha.
    Olhos fechados não fala com crianças.
    Me sinto escura, no escuro = isso não se fala pra gente da nossa espécie, ninguém suporta nem é capaz de entender.
    “Meu coração tá tão triste que eu me sinto no direito de não perambular mais por aí com esse corpo que ocupa espaço e esmaga”.
    Eu estava lá, eu vi, gritei, supliquei aos Anjos, ofereci uma bebida, chamei para dançar, tossi, rasguei-me todo, saí para ver, quebrei os navios, fiquei com a mão pálida, tremi.
    Ela me disse: põe a mão em mim que eu viro água, me escolhe... eu tentei, pus a mão, mas não consegui, escorreu pelos dedos, não é possível agarrar um coração que pesa 300 gramas."

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