Viver com ansiedade é viver com medo. Eu tenho medo de sair da cama, tenho medo de não conseguir sair de casa, tenho medo de não conseguir tomar um banho. Tenho medo quando meu celular toca e eu tenho que falar com alguém. Tenho medo quando as pessoas tentam fazer contato físico comigo, tenho medo quando me pedem pra fazer algo, tenho medo de dizer que tou mal quando me perguntam se eu estou bem. E digo que estou bem. Tenho medo de pegar um ônibus e ele não ser o certo, tenho medo de pedir ajuda, tenho medo de não conseguir terminar a faculdade por causa dos meus problemas mentais, tenho medo de não ter mais nenhum amigo com quem contar nessa cidade. Tenho medo de entrar em um relacionamento com alguém e acabar destruindo tudo do pior jeito possível, tenho medo de nunca conseguir sair daqui porque eu sempre vou estar acompanhada dessas doenças que não me deixam viver 100% da minha vida. Tenho medo de ter um infarte aos 21 anos de idade por que às vezes minha ansiedade fica tão forte que meu peito dói como se eu tivesse tendo um. Tenho medo de fazer novos amigos, tenho medo de ficar pra trás, tenho medo de continuar vendo minha mãe sofrer a cada vez que tenho um ataque de pânico ou uma crise de choro. Eu vivo num constante estado de medo como um soldado numa guerra, esperando um bombardeio a qualquer minuto do dia. O fechamento é pra proteger os outros, pra que não haja morte que não seja a minha, de novo e de novo todos os dias. O egoísmo das pessoas sempre está em achar que minha morte é em função delas; por causa delas, por que ELAS fizeram alguma coisa. Eu só sou uma soldado no fronte da pior batalha de todas tentando sobreviver, tentando morrer e sobreviver, tentando ainda ser eu quando a guerra acabar. Mas não sei se ainda acredito que ela terá um fim.
domingo, 12 de outubro de 2014
terça-feira, 23 de setembro de 2014
The Depression Diaries, nº 26 - Stupid little girl with stupid dreams
Às vezes imagino o que as pessoas que convivem comigo na vida real pensam de mim; de como ajo, de como respondo às coisas, de como sou. Depois de tanto tempo, provavelmente já se acostumaram a me ver triste e assumem que é uma coisa que vou superar sozinha.
Talvez.
Não porque eu não preciso da ajuda de ninguém, mas porque me acostumei a não ter a ajuda de ninguém.
Às vezes eu penso que eu só queria poder ter com quem falar. Com quem conseguir falar.
Garota estúpida com estúpidos sonhos que nunca aprende.
"With such a hell in your heart and your head, how can you live? How can you love?"
Fyodor Dostoevsky, The Brothers Karamazov
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
The Depression Diaries, nº 25 - Piada
Eu sou uma piada. Minha doença é uma piada, uma história que se conta aos outros pra eles se sentirem melhores quando algo de ruim acontece com eles. Sou uma piada de quem não tem a mínima disposição de me entender e prefere achar que tudo é sobre eles, por causa deles quando tou na mais profunda merda desse poço. "EU fiz alguma coisa pra ti? EU tenho alguma culpa?" Puta que pariu, se tem uma coisa que eu me importo menos nesse momento é com as coisas que os outros fazem. Eu não dou a mínima, e é recíproco. Cada vez mais me sinto uma decoração de sala que as pessoas já estão acostumadas a ver e ignorar. Mas as piadas sempre aparecem. Tanto no meu círculo social quanto dos meus próprios psiquiatras. Só posso ser eu a porra da culpada por ser tão imbecil assim. O bom mesmo é que eu não tenho mais nenhum amigo nessa cidade e devo um total de 0 satisfações. Era só uma questão de tempo até todo mundo ir embora.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
The Depression Diaries, nº 24 - Fake plastic me
É muito difícil estar sozinha. É alguma coisa que eu não sei mais, mas que só sinto. Esse vazio que procuro quando tenho que me lembrar do porque tou sobrevivendo a isso. Geralmente porque tem pessoas que se importam comigo, que me amam, etc. Se eles tem medo de conviver comigo nesse estado, imagina eu. Eu queria ser alguém que a presença não fosse tão pesada, alguém que conseguisse expor claramente o que pensa e sente. Mas não sou. Eu consigo escrever, mas a força desse contra ataque é pequena demais, quase inútil. Ninguém me lê mais porque tá cansado de sentir pena de mim, de rir quando eu digo que preferia ter morrido a ter saído de casa. Eu perdi a graça pras outras pessoas, e então elas preparam o terreno pra partir. É difícil, claro. Eu continuo me adaptando, mesmo sem querer, mesmo sem ter nenhum amigo ou parente pra me apoiar de de verdade. Pra quê eu ainda não sei, talvez eu descubra. Ou não. Depois de um certo tempo não há mais palavras para serem ditas. Todos os pedidos de ajuda se desvanecem e eu também, e eu também.
domingo, 31 de agosto de 2014
The Depression Diaries, nº 23 - Entendimento
Eu fui a outro psiquiatra essa semana. Eu chorei bastante, coisa que eu nunca fiz em nenhuma outra consulta. Não que esse cara seja melhor que todos os outros — ele era a porra dum hipster. Mas eu não consegui me controlar. Depois de algum tempo ele olhou na minha cara e disse "sabe o que você tem? NADA".
Sim, ele disse isso. E me receitou um remédio. E disse pra eu repetir que não queria sentir tais sentimentos ruins quando os dito cujo aparecessem. Claro, porque eu não tinha tentado isso antes. Que porra de pessoa brilhante que você é.
Enfim, eu resolvi tomar o remédio depois de minha mãe insistir. Tomo quando me sinto mal, quando dá vontade, etc. Não que eu me importe.
Porra, eu tou tão cansada de me importar. De tudo. Das pessoas que não dão a mínima. De quem dá a mínima, ou a máxima. Não, ninguém dá a máxima. Eles não se importam tanto pra isso. Eu devo ter criado essa casca de pessoa tão assustadora que ninguém tem ao menos a coragem de perguntar como eu tou sobrevivendo a tudo isso. Porra, é disso o que mais reclamo aqui. Reclamo porque não tenho mais força de vontade de dialogar sobre isso pessoalmente, mas queria que insistissem. Eu não sei o que as pessoas acham quando estou tendo um momento feliz (aparentemente sim esses minutos me curaram duma depressão de 2 anos, você é um gênio), mas é como se fosse um retrato que eles mantém em seus cérebros pra evitar pensar que eu provavelmente fico querendo morrer em todos os outros momentos.
É díficil pra caralho aparentemente me querer por perto, e olha só que bela descoberta é que eu não tenho amigos a esse nível. Por um lado é bom porque nada nem ninguém me prende aqui, e eu tou tão sufocada daqui que não sei como não explodi tudo. Eu preciso me tratar, eu sei. Mas é tão dificil e doloroso admitir que eu preciso de remédios pra não me sentir o pior ser humano que já passou sobre essa terra que tira todo o controle que eu achei que tinha de mim. Eu não quero ser dependente disso pra ser eu mesma. Eu quero não sentir, não ver, não pensar, não ser. Não ser eu. Ser a pessoa que meus amigos acham que sou, a pessoa que intimida, a pessoa auto suficiente, que é difícil de fazer amigos e não se dá bem com todo mundo. A pessoa que não gosta dos amigos deles, a pessoa que eles queiram chamar pra sair ou só ficar por perto sem medo de entrarem num ciclo de culpa porque eu tenho uma doença. Às vezes eu queria tanto pedir a ajuda deles, de alguém, mas eu simplesmente não sei como. O que eles poderiam fazer pra me ajudar? Sentir pena de mim? Se afastar porque acham que eu lido melhor com essas crises sozinha porque certamente ninguém tem coragem de buscar um tratamento para uma coisa que não há provas concretas que existe?
Mas como eu já disse milhares de vezes, eu continuo esperando muito de quem não pretende mais me dar nem um pouco. Essa é minha sina e minha ruína. Entretanto, eu realmente queria ter alguém por perto que entendesse. Que estivesse disposta. Que só existisse, entendendo.
Continue sonhando, gafanhoto.
domingo, 17 de agosto de 2014
The Depression Diaries, nº22 - Aniversário
Eu venho odiado meus aniversários desde a minha adolescência. Engraçado reler esse texto meu de quando eu tinha 17 anos e perceber que não mudou muita coisa em relação a isso (desculpa, eu do passado). Eu me sinto pior que a merda do pior e mais feio animal do mundo e sabe por que? Segura essa, eu do passado, hora de esclarecer suas dúvidas. É por que finalmente entendo o meu baixo nível de significância na vida das pessoas da minha vida real. Talvez eles nem mesmo saibam isso, mas eu certamente consigo ver. Eu vejo tudo, eu observo tudo. Mas tá tudo bem, não tem problema. Sério. Eu, mais uma vez e segundo as probabilidades, devo sobreviver a esse dia e continuar sendo miserável. Que na verdade é culpa minha. Eu, que espero muita coisa e que crio muita coisa na minha cabeça e arruíno tudo antes mesmo da coisa acontecer, e esperar mais das pessoas do que elas tão dispostas a oferecer tem sido minha desgraça em todos esses malditos 21 anos da minha vida. Eu tenho que parar de criar histórias na minha cabeça, eu tenho que parar de esperar. Apenas. Eu não sou nem tão boa pessoa assim. Jesus, eu queria ter sonífero nessa casa pra passar esse dia inteiro dormindo. Eu odeio pra caralho tudo isso.
(inclusive, eu fui a um psiquiatra novo. ele é um velho imbecil, espero que se engasgue no próprio cuspe.)
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